Quase 20 % da população amazônica vivem em níveis de pobreza extrema, ou seja, com menos de um quarto do salário mínimo, segundo dados já divulgados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Uma população que tem pouco acesso à água encanada, coleta de esgoto adequada e que tem na insegurança alimentar uma realidade presente no cotidiano. Às vésperas da Conferência das Nações Unidas Rio + 20, problemas como esses devem ser encarados sob o viés de mudanças efetivas.
Com histórico de ‘técnica’, a presidenta Dilma Roussef estabeleceu que combateria a pobreza com uma meta estipulada. Usaria procedimentos similares ao de combate à inflação. Com resultados não tão significativos, decidiu criar outra bolsa de auxílio aos pobres.
A Amazônia é a região que mais sofre com a desnutrição. Segundo a última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), feita em 2008, o baixo peso para altura ainda atinge cerca de 1,7% da população infantil, sendo que o maior percentual foi encontrado na Região Norte: 3,4%. Conseqüência direta da falta de alimentação adequada.
Erradicar a pobreza é meta, tema de discurso em palanques de campanha e fonte inesgotável de votos. Alcançar esse resultado definitivo é o entrave maior. O Pará é um exemplo disso. Rico em recursos naturais e energéticos, desenvolve-se timidamente em questões sociais. Tem uma população pobre, com baixo índice de educação e níveis alarmantes no quesito saúde.
Mais do que números, a fome se reflete em pessoas. Faz com que se comprometa o futuro de crianças que, sem o fornecimento adequado de nutrientes, tem o desenvolvimento retardado e o corpo aberto a mazelas das mais diversas. E torna os últimos anos de vida de pessoas velhas um sacrifício a mais.
Ter um prato de comida à mesa torna-se um desafio diário para muitas famílias. O DIÁRIO DO PARÁ acompanhou essa saga de famílias que mal têm o que comer diariamente - o que inclusive compromete o rendimento escolar de crianças. O jornal consultou especialistas no assunto que avaliaram a situação dos pobres da periferia de Belém e de indígenas em aldeias distantes dos grandes centros.
Nessa rota, o desperdício também é sintoma de que algo vai errado na maneira como a sociedade lida com a alimentação. O país consegue desperdiçar cerca de 40% de tudo aquilo que produz. E a fome continua sendo um fantasma a ser exorcizado.
Durante cinco dias, contando a partir da edição deste domingo, a série O Pará da Fome, do DIÁRIO, vai expor o problema. Se vai ser um guia para a soluções, cabe às autoridades responsáveis responder. Mas, próximo à conferência que visa tratar do futuro da humanidade, nunca é demais lembrar que meio ambiente também é formado por pessoas. Gente que, entre outras coisas, tem fome.
ENTENDA
10% das casas paraenses sofriam com a privação de alimentos, apontam dados do IBGE de 2010.
10,9% dos lares paraenses pesquisados é a porção onde os moradores responderam que não têm dinheiro suficiente para comprar os alimentos necessários para a família.
20% da população amazônica vivem em níveis de pobreza extrema: têm menos de um quarto do salário mínimo para sobreviver a cada mês.
(Diário do Pará)
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