Dados cerca de 1.200 ônibus que rodam hoje fazendo linhas com trajetos que passam por Augusto Montenegro, Almirante Barroso, São Brás e Presidente Vargas, a previsão é de que aproximadamente 70% deixem de circular após a implementação do Bus Rapid Transit em Belém. É o que confirma Paulo Serra, diretor de transportes da CTBel (Companhia de Transportes de Belém), sobre mais um dos vários detalhes em que implicam o mais polêmico projeto de mobilidade urbana da história da região metropolitana.
Segundo o diretor de transportes da CTBel, ao ser concluída toda a extensão do BRT, os únicos coletivos que deverão passar a circular pela avenida Almirante Barroso são de linhas que fazem trajetos para bairros periféricos nas margens da cidade, como Jurunas ou Guamá, ou que têm rotas que não podem ser desviadas, como os que passam pela avenida Cipriano Santos, por exemplo.
A expectativa da companhia é de que as 186 linhas de ônibus que existem atualmente na capital paraense sejam reduzidas para cerca de 115. Hoje, existem aproximadamente 9.000 trabalhadores, entre cobradores e motoristas de ônibus, apenas em Belém, divididos entre as 33 empresas de transporte. “Não compete aos empresários. Compete ao município compor melhorias na construção do novo serviço que vai atender à população”, justifica Serra, lembrando que funcionários serão reaproveitados, mas demissões provavelmente serão inevitáveis.
SUBSTITUIÇÃO
O projeto global prevê que linhas de ônibus circulares deverão levar passageiros dos bairros para as estações de alimentação ao longo do BRT, substituindo a maioria das linhas atuais.
De acordo com o projeto, o BRT de Belém será composto por três terminais de integração (Icoaraci, Entroncamento e São Brás), 18 estações distribuídas na extensão da avenida Augusto Montenegro e oito estações ao longo da avenida Almirante Barroso. As estações de distribuição (ou alimentação), segundo o projeto, serão climatizadas e devem ser abastecidas por ônibus circulares que transportarão passageiros para os corredores centrais do BRT. Estas mesmas linhas devem levar os usuários das estações de alimentação de volta para os bairros, sendo que o bilhete para o BRT e para os circulares será único e poderá ser comprado antecipadamente em um dos terminais de integração.
O projeto prevê a implantação de linhas circulares pelo centro da cidade, responsáveis por abastecer o terminal de São Brás, do mesmo modo que linhas circulares em Icoaraci abastecerão o terminal do distrito. A CTBel ainda estuda quantos veículos serão necessários para cada linha circular, mas já confirma que as frotas sofrerão reduções.
O governo do Estado ficará responsável pela construção do BRT no trecho do Entroncamento até o município de Marituba, além das obras de prolongamento da avenida João Paulo II, projetos correspondentes ao programa Ação Metrópole. Até 2015 os investimentos do governo em programas de mobilidade urbana para melhorar o trânsito da região metropolitana, somados aos da prefeitura, devem chegar a R$ 910 milhões.
Cerca de R$ 498 milhões do orçamento federal foram destinados à prefeitura para a primeira fase do BRT, de Icoaraci a São Brás, e R$ 214 milhões ao governo do Estado para conclusão das obras previstas no Ação Metrópole. O sistema tem previsão para atender 45 mil pessoas a cada hora e prevê a diminuição do tempo da viagem em 65%.
MOBILIZAÇÃO
Para Edberto Santos, diretor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários de Belém, a demissão de cobradores e motoristas pode tornar a situação do transporte coletivo na cidade caótica. “Com 9.000 pessoas nós já não damos conta, imagina se houver demissões. Não vai ter carro”.
Os rodoviários dizem que a informação de possíveis demissões por reduções na frota de Belém não condiz com o que foi primeiramente repassado à categoria pela CTBel. “Pelo que eu sei, nós íamos ser aproveitados quando criassem linhas em bairros que não têm ônibus, como o Aurá”, diz Santos.
Uma ação já foi protocolada no Ministério Público Estadual convocando uma audiência com a CTBel para esclarecer pontos confusos a respeito do BRT. “Eles não podem demitir pais de família assim. Eles têm que nos dar alternativas”.
“Sendo realista, não posso garantir que todos os funcionários passarão a trabalhar nas linhas circulares. Os cobradores podem ser aproveitados para emitir bilhetes nas estações do BRT”, diz o diretor de transportes da CTBel.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros em Belém (Setransbel), Paulo Gomes, diz que ainda não tem conhecimento das alterações na frota após o BRT. “O que nós sabemos é que em cidades que tiveram a implantação do sistema a frota foi realmente reduzida”.
LICITAÇÃO
No final de 2011, as obras da BRT deram largada já com denúncias de irregularidades na licitação. Após mandado de segurança ingressado pela Estacon Engenharia, liminar suspendeu a apresentação e abertura de propostas, pois a construtora Andrade Gutierrez foi a única empresa a se apresentar à concorrência. Recurso da PMB contra a decisão foi depois acolhido, cassando a liminar que suspendia a licitação. (Diário do Pará)
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