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Zenaldo garante estar preparado para ser prefeito

Há doze anos ele ficou em terceiro lugar na disputa pela prefeitura de Belém. Desta vez, garante que está mais preparado e com mais experiência para enfrentar a campanha e administrar a cidade. Dando continuidade à série de entrevistas com os pré-candidat

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Há doze anos ele ficou em terceiro lugar na disputa pela prefeitura de Belém. Desta vez, garante que está mais preparado e com mais experiência para enfrentar a campanha e administrar a cidade. Dando continuidade à série de entrevistas com os pré-candidatos à prefeitura de Belém, o DIÁRIO apresenta hoje o deputado federal Zenaldo Coutinho, do PSDB, partido do governador Simão Jatene.

Esta é a segunda vez que Coutinho vai disputar uma eleição à prefeitura da capital. Advogado, 51 anos, Zenaldo Coutinho já foi vereador, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Pará, deputado federal, chefe da Casa Civil e secretário de Proteção e Desenvolvimento Social no atual governo, cargo que deixou para comandar uma das frentes contra a divisão do Pará. Nesta entrevista exclusiva, o pré-candidato falou de propostas, alianças e não poupou críticas à atual administração. Confira:

P: Em sua opinião, que temas devem dominar a campanha deste ano?

R: Nós temos os históricos temas que foram agravados nos últimos 16 anos: saúde é um deles. Nessa área, Belém teve sua estrutura degradada. A educação é outro tema. Não tivemos investimentos. Hoje temos uma rede escolar de ensino fundamental mínima, quase nenhuma creche dentro da capital. E isso são problemas que vêm se acumulando. Eu destacaria as últimas quatro administrações que perderam espaço, tanto no ensino fundamental quanto em creches. Outro tema recorrente é o saneamento. Agora mesmo, em novo levantamento nacional, Belém aparece em primeiro lugar entre as piores cidades sem rede de esgoto. Isso também é uma acumulação de prefeitos que não levaram esse aspecto em conta. Poluição em todos os aspectos: sonora, visual, lixo nas ruas. Diferente de outras cidades que têm conseguido avançar, nós temos retrocedido até na economia. Belém não tem se modernizado. A questão do transporte também vai ser alvo de debate porque o prefeito começou o BRT sem apresentar vias alternativas e instalou o caos na cidade, no afã de, nos estertores de sua administração, apresentar algum trabalho.

P: O senhor considera que o BRT é uma obra eleitoreira?

R: O BRT é uma obra importantíssima, mas esse início agora é eleitoreiro mesmo. Nós sabemos que ele demorou oito anos para fazer o portal da Cidade. Está há anos para fazer o portal da Amazônia, na Estrada Nova. Quantos anos levou para concluir dois quilômetros de um total de seis? Temos ai toda a macrodrenagem da Estrada Nova não executada. Obra do Paracuri paralisada. Então estamos com um monte de obras paradas. Muita coisa por fazer e ai vêm quebrar a cidade na Almirante Barroso, única grande via de escoamento em pleno período eleitoral. Está evidente que não há compromisso com a qualidade de vida das pessoas. Se fosse prudente, garantia todo financiamento, anunciava a garantia do projeto e deixava a João Paulo II ser concluída e o novo administrador iria executar a obra que o Duciomar tivesse conseguido. Não precisava dessa antecipação.

P: Como estão suas conversas em torno de alianças?

R: Tem um arco de alianças que nós estamos construindo que, obviamente não posso antecipar porque faz parte da estratégia política de definir os parceiros primeiro e depois anunciar, num bom momento político.

P: Mas então o senhor tem conversado com todo mundo?

R: Todo mundo não. Tenho conversado com muitos, mas tem alguns que a gente faz questão de não conversar.

P: O prefeito Duciomar Costa está entre esses com quem o senhor faz questão de não conversar?

R: O prefeito Duciomar já anunciou que terá candidato.

P: Em um eventual segundo turno o senhor aceitaria o apoio dele?

R: No segundo turno, a gente discute o segundo turno. Neste momento, a gente tem que discutir a disputa que vamos ter para saber quem vai para o segundo turno comigo, porque a minha expectativa é que eu chegue lá de maneira muito forte.

P: Mas o senhor aceitaria o apoio do atual prefeito?

R: Olha não terei compromissos nenhum com o prefeito quanto ao futuro. Meus compromissos são com a cidade, com a qualidade de vida, mas cínico seria aquele que dissesse que não ia querer voto deste ou daquele. Não estou propondo, nem convidando, nem fazendo alianças com o prefeito até porque acho que ele deixou muito a desejar. Da mesma forma, se você me perguntasse em relação ao Edmilson [Edmilson Rodrigues candidato do Psol]. Não, eu não faria aliança com ele. Edmilson passou oito anos na prefeitura. Teve uma grande oportunidade de fazer muito. Fez pouco e o pouco que fez foi de maneira tão ruim que até hoje estamos tendo consequências.

P: O Edmilson aparece em primeiro lugar nas pesquisas. Se ele fez pouco pela cidade, o que explicaria esse bom desempenho até agora?

R: Ele estava lançado a candidato desde que retornou a Belém do período que passou fora. Estava, como a gente costuma dizer, surfando sozinho nas ondas. Agora começam a aparecer os candidatos e ele começa a cair nas pesquisas. Quem começa a pensar muito antes em eleição são os políticos e jornalistas. A população só vai pensar na hora certa.

P: Voltando ao Duciomar, ele foi eleito por uma aliança em que o maior partido era o PSDB e a rejeição dele hoje é grande. O senhor acha que isso pode prejudicar sua candidatura?

R: Nenhum problema. Marido e mulher casam e, no meio do caminho, há uma grande traição, um problema de incompatibilidade e se separam. Não é diferente na política. Não é diferente em muitas relações humanas. Nós temos que acreditar uns nos outros para nos aproximar e, nos separamos quando essas relações são afetadas. Foi um erro ter apoiado o Duciomar? Ele não correspondeu ao que vocês esperavam? Se tivesse correspondido eu estaria aqui, agora elogiando.

P: O senhor não será o único candidato da base aliada do governo de Simão Jatene, mas é do mesmo partido dele. Que comportamento o senhor espera do governador na campanha?

R: Não vou dizer o que eu espero. Vou dizer o que o governador já anunciou publicamente e em todas as conversas. O governador tem um candidato a prefeito. Eu vou repetir o que ele tem dito. O governador tem um candidato à prefeitura de Belém e esse candidato é o Zenaldo Coutinho. A minha expectativa não pode ser diferente até porque não sou candidato de mim mesmo. Sou o candidato do PSDB, partido que presido e que tem como presidente de honra Simão Jatene.

P: Então o senhor espera que o governador Jatene mergulhe de cabeça na sua campanha?

R: Vou repetir, não espero nada. Ele está dizendo que vem, está falando, está assumindo o compromisso público e essa seria obviamente uma pré-condição de candidatura. Imagina ser o candidato de mim mesmo; sem os vereadores do PSDB, sem os deputados estaduais e federais, sem o governador. Seria ridículo, despropositado. Se não convenço dentro de casa, como é que vou querer convencer lá fora?

P: Isso não vai criar embaraço na base?

R: Sou candidato a prefeito de Belém. Não sou candidato a governador do Estado, porque esse será o Simão Jatene na sua reeleição, e ele está construindo com muita habilidade as alianças em todo Estado. Há candidaturas a prefeitura em 144 municípios, não só em Belém.

P: A presidente Dilma Rousseff, que está muito bem avaliada, terá candidatos em Belém que vão usar esse apoio do governo federal como diferencial. Como o senhor vai responder ao fato de não contar com esse apoio?

R: Claro que vou ter esse apoio.

P: O senhor foi líder da minoria na Câmara...

R: Mas a presidente Dilma tem demonstrado ser uma estadista. Eu não tenho visto em nenhum lugar da imprensa, nenhum jornal dizer que a presidente tem discriminado esse ou aquele Estado; esse ou aquele município por causa da coloração partidária. Pelo contrário: agora mesmo assinou convênios com o governo do Pará para as obras do Ação Metrópole. Acredito piamente que vamos manter essa relações. Aliás, eu, embora tenha sido líder da minoria como você lembrou, jamais fechei as portas nas relações políticas com qualquer partido, com qualquer estrutura administrativa.

P: O senhor foi candidato a prefeito de Belém e ficou em terceiro lugar. O que faz o senhor acreditar que desta vez vai ser diferente?

R: Tudo. Eu mudei, amadureci muito. Estamos falando de 12 anos atrás. Nesse tempo, adquiri muita experiência, muito conhecimento, informação. Eu acho que tudo vem a seu tempo. Deus escreve certo por linhas tortas, diz o ditado. Asseguro para você que hoje estou com uma cabeça, uma disposição, uma relação pessoal e política muito mais ampliada e com muita convicção de que agora a gente tem condições não só de ganhar a eleição, mas de fazer uma administração revolucionária em favor de Belém e do seu povo.

P: O senhor coordenou a campanha do Não durante o plebiscito sobre a divisão do Estado. Essa exposição vai ajudar agora?

R: Embora eu tivesse o controle pessoal de toda a publicidade da campanha do Não, eu não usei nos programas da frente contra a divisão. Tive o cuidado de que fosse uma luta institucional. Que não fosse partidária e muito menos pessoal. A exposição que acabei tendo foi nos debates e até bem antes porque, por anos, tive uma luta solitária para impedir o plebiscito. Esse é um ponto que me identifica profundamente. Onde chego, as pessoas relembram, fazem referência. Nunca me envergonhei e muito menos agora.

P: O senhor assumiu poucos cargos executivos. Essa inexperiência pode ser alvo de crítica. Como o senhor vai responder a isso?

R: A gente precisa comparar. Eu passei dois anos na Assembleia Legislativa e a AL foi um show em termos de economia, administração, transparência, organização. Depois fui para casa Civil e trabalhei profundamente na organização do Estado. Ou seja, graças a Deus eu tenho contribuído muito para a modernização deste Estado, diferente de outros que tiveram a oportunidade e não contribuíram para a retomada do desenvolvimento da cidade. Quem já teve oportunidade e não fez o povo já conhece.

P: A AL está envolvida em uma série de escândalos e alguns problemas podem ter começado na sua administração...

R: Não. Onde está isso? Não fale nunca um negócio desse. Eu tenho certidões do Ministério Público Civil e Criminal. Pedi que a investigação iniciasse pelo meu período.

P: Ma o senhor não teme que isso seja usado na campanha?

R: Não. Eu tenho uma certidão exatamente da minha seriedade à frente da gestão pública. Quanto ao meu período na AL não tenho nenhuma preocupação.

(Diário do Pará)

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