No primeiro olhar, ainda à distância, a impressão é de um cenário de caos. Depois, ao ingressar no espaço, vem a desorientação. Com agentes obrigando novos trajetos, ônibus, caminhões, motos, carros, todos se aglomeram em pequenas vias, denominadas de rotas alternativas.
Por fim, ao sair do local, a sensação é de alívio. Conforto em deixar pra trás o barulho de máquinas, as buzinas intensas, a locomoção vagarosa. “Esse projeto está saindo como uma história de terror. Altera a vida da gente, mexe com o nosso humor, a nossa rotina. Agora com mais essa nova, só fica a certeza de que tudo pode ficar ainda pior”, disse o economista Lauriel Gonçalves.
A novidade à qual ele se refere foi a interdição de parte da rotatória do complexo viário do Entroncamento devido à construção de dois pilares para as obras do elevado que vai interligar Pedro Álvares Cabral e Almirante Barroso. A mudança foi instalada ontem, às 9h, na tentativa de que a essa hora o volume de pessoas que se dirigiam ao trabalho fosse menor. Intenção que não foi bem sucedida. Apesar de não ser tão cedo, o fluxo de carros na BR-316, no sentido Ananindeua – São Brás continuava lento.
E ficou ainda pior com a limitação. Agora, os veículos que vêm da Augusto Montenegro em direção à rodovia BR-316 precisam tomar a avenida Pedro Álvares Cabral até a avenida Tavares Bastos para cruzar a Almirante Barroso e então chegar à BR-316. Quem vem da BR-316 e deseja retornar à própria rodovia também terá de acessar a Tavares Bastos.
INDIGNAÇÃO
Na prática, contudo, os contornos ficaram confusos. Cada veículo impõe uma velocidade e o que deveria ser um fluxo arquitetado, se transforma em um emaranhado de vontades. Mesmo com a presença de agentes de trânsito e algumas pessoas em treinamento para assumirem posteriormente a função, a segunda-feira foi de indignação. “Não dá mais para usar a passarela porque fecharam tudo no meio. Aí não tem sinal porque senão para tudo. E como a gente faz para atravessar? Já basta que diminuíram os ônibus e agora ainda mudam o trajeto?”, criticou a universitária Rafaela Silva.
O impedimento deve continuar pelo menos até o dia 30 de setembro, informa a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel). A intenção é aguardar algumas semanas para constatar se a mudança foi incorporada ou não pelos condutores, mas a CTBel já antecipou que, dependendo dos efeitos dessas medidas, novas alterações poderão ser aplicadas.
“Não há muitas alternativas. O cidadão precisa ter calma, seguir as orientações dos agentes e evitar congestionamentos nesse período de adaptação”, disse Elias Jardim, diretor de trânsito da CTBel. O receio é que, com pressa, colisões sem gravidade física, mas prejudiciais à fluidez da vida, aconteçam. Possibilidade comprovada ontem, minutos após a interdição. No sentido BR-Pedro Álvares Cabral, uma carreta bateu um veículo modelo Gol, tomando um dos poucos espaços restantes.
Empresários discutem soluções para a BR-316
A Associação Empresarial de Ananindeua (Acia) fará um debate de trabalho com seus associados e órgãos públicos municipais, estaduais e federais, hoje. O objetivo é discutir e apontar soluções sobre as recentes mudanças na BR-316, as quais têm ocasionado grandes transtornos à população.
Além dos empresários, representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Prefeitura de Ananindeua, OAB, Câmara Municipal de Ananindeua, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Ministério Público Federal (MPF), Faciapa, Associações Comerciais de Icoaraci, Belém, Benevides, Santa Isabel e Castanhal foram convidados para o debate.
Segundo a Acia, o centro comercial de Ananindeua abriga mais de 800 empresas na área de comércio e serviço, isso sem incluir a feira livre que comporta 400 feirantes.
(Diário do Pará)
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