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Doutorado sanduíche da UFPA oferece 52 bolsas

De passagens compradas e malas prontas. Destino: cidade de Kent, Ohio, Estados Unidos. Viagem de férias? Não. Luiz Kleber de Souza, estudante do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Pará (UFPA) vai fazer um estágio na Universida

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De passagens compradas e malas prontas. Destino: cidade de Kent, Ohio, Estados Unidos. Viagem de férias? Não. Luiz Kleber de Souza, estudante do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Pará (UFPA) vai fazer um estágio na Universidade de Kent State para complementar seus estudos de doutorado por meio do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em 2012, a UFPA oferta, por meio do Programa, 52 bolsas, de 12 meses cada, disponibilizadas em fluxo contínuo, a qualquer doutorando matriculado na Instituição que deseje passar uma temporada de estudos e investigações científicas junto aos pesquisadores das melhores universidades estrangeiras conveniadas. O estágio de Luiz Kleber, por exemplo, terá a orientação do professor Mietek Jaroniec, um dos mais notáveis cientistas de materiais do mundo, com grande destaque na área de materiais mesoporosos (um material poroso cujos poros têm diâmetro de 2 a 50 nanômetros).

A pesquisa do estudante diz respeito à nanotecnologia e novos materiais, área considerada prioritária pelo Programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. O Programa busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira, por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O Projeto Preparação e Caracterização de Sistemas Mesoporosos para Liberação Controlada de Princípios Ativos da Biodiversidade Amazônica, no Brasil, está sendo orientado pelo professor Carlos Emmerson Costa (UFPA).

O Projeto, pertencente à Rede Nanobiotec-Brasil, tenta recuperar compostos bioativos amazônicos, de alto valor comercial, utilizando materiais mesoporosos. Na Universidade de Kent State, os novos compostos serão sintetizados e terão o potencial investigado para a recuperação de compostos bioativos que podem ser aplicados na produção de cosméticos, fármacos, suplementos nutricionais e de alimentos funcionais. Na área de fármacos, por exemplo, tais compostos possuem eficácia comprovada contra o câncer e como anti-inflamatórios.
"Respirando" pesquisa em outros ambientes

"A participação no PDSE me permitirá não só uma nova experiência cultural, como também a atualização de conhecimento em materiais mesoporosos e a utilização de um laboratório de ponta para essa investigação", afirma Luiz Kleber de Souza. O Grupo de Pesquisa em Catálise e Oleoquímica (LCO) da UFPA já vem realizando estudos nessa área e, agora, será beneficiado pela transferência de tecnologia com a instituição americana.

"Poderei complementar meu aprendizado em síntese de novos materiais e de outras técnicas de caracterização, como Ressonância Magnética no Estado Sólido, Microscopia Eletrônica e Adsorção", espera o estudante. E complementa: "o PDSE é um excelente programa, que possibilita a muitos pós-graduandos da UFPA, e do Brasil, uma oportunidade única de fazer uma parte experimental de sua tese em uma universidade renomada, o que, muitas vezes, dá visibilidade internacional à produção científica local".

O orientador de Luiz Kleber, professor Emmerson da Costa, pesquisador do LCO, acredita que, por meio do PDSE, o pesquisador tem a oportunidade de trabalhar e "respirar" pesquisa em uma instituição mundialmente conceituada em sua área. "O Programa permite que um número significativo de pesquisadores de nossa região possa se destacar pela qualidade das pesquisas realizadas. Por isso, é importante valorizarmos o trabalho realizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da UFPA, ao viabilizar e estabelecer parcerias com grupos de pesquisa consolidados", opina.

De fato, o PDSE tem como objetivo oportunizar a alunos de pós-graduação, em nível de doutorado, a experiência de interação com a comunidade científica internacional. "Além da troca de informações e do enriquecimento da formação do aluno, o Programa propicia o fortalecimento da produção científica dos grupos da UFPA, bem como o crescimento da cooperação internacional", explica Emmanuel Tourinho, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA.
Seguro saúde, passagens e auxílio moradia

A submissão ao Programa não é vinculada a editais, pois as bolsas são ofertadas em fluxo contínuo. Os alunos de doutorado da UFPA interessados em realizar o "estágio sanduíche" devem procurar a coordenação de seus cursos e manifestar o interesse apresentando plano de pesquisa e carta de aceite do pesquisador estrangeiro que assumirá a coorientação no período do estágio.

Como pré-requisitos para a concessão da bolsa, o estudante deve ter sido aprovado no exame de qualificação do doutorado, ter proficiência em língua estrangeira e retornar ao Brasil pelo menos seis meses antes do prazo para a conclusão do curso. É necessário que haja parceria entre os orientadores no Brasil e no exterior. A bolsa do PDSE garante mensalidade na moeda do país de destino, seguro saúde, auxílio deslocamento (passagens aéreas) e auxílio instalação (moradia).

Segundo Emmanuel Tourinho, a concessão das bolsas cresceu à medida que cresceu o número de doutorados ofertados na Instituição. Em uma década, o número de cursos de doutorado na UFPA aumentou de sete para 26 e o número de bolsas do PDSE concedidas subiu de uma, em 2008, para 12, em 2011.

"Essa oportunidade enriquece a formação científica, alarga os horizontes de investigação e favorece a internacionalização da Instituição e seus grupos de pesquisa", sintetiza o pró-reitor. As bolsas podem ter duração de quatro a doze meses. Com a cota atual de 52 bolsas, a UFPA tem 624 meses de bolsa disponíveis para o ano de 2012.
Experiência em universidade belga

As oportunidades de pesquisa são nas mais diversas áreas e localidades do mundo. A estudante Sarah Raphaella Scarlecio, orientanda da professora Sheyla Domingues, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da UFPA, por exemplo, está, desde fevereiro, em "estágio sanduíche" na Universidade Católica de Louvain, Bélgica, onde realiza estudos na área de criopreservação de tecido ovariano.

"O tratamento do câncer que objetiva salvar vidas, em muitas mulheres, ocasiona a menopausa precoce, com perda da fertilidade. Em situações clínicas em que os pacientes são meninas pré-púberes ou quando a quimioterapia não pode ser adiada, a criopreservação do tecido ovariano tem surgido como uma opção promissora para restaurar a fertilidade. Na Universidade de Louvain, realizamos criopreservação e transplante de fragmentos de tecido do ovário. Usando esta técnica, obtivemos o primeiro nascimento, ao vivo, de tecido ovariano criopreservado em todo o mundo", conta.

Ao retornar, Sarah Scarlecio pretende contribuir para a inovação tecnológica e para o avanço da pesquisa técnico-científica no Brasil. (Ascom Ufpa)

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