Os servidores do Hospital do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, decidiram entrar em greve a partir das 7h da próxima segunda-feira (11). A decisão foi tomada em assembleia que reuniu cerca de 200 servidores, às 18h, no próprio hospital.
A partir de hoje, os servidores se mobilizarão para que a paralisação atinja as demais unidades de saúde do município. Às 19h, será realizada uma reunião no Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará (Sintsep). “Nós vamos mobilizar todas as categorias para fazermos uma greve unificada de todos os servidores da área de saúde”, afirmou a presidente da Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém, Rosana Rocha.
Na porta do PSM da 14, a funcionária publica Nazaré Garcia saía com um ventilador, após acompanhar o filho, internado durante doze dias no hospital. Ela precisou levar o aparelho por conta própria. “Não tem ventilador, eu que precisei trazer. A gente reclama, mas não adianta. Depender da saúde pública é complicado”.
Foi justamente por causa das dificuldades em realizar atendimentos que os servidores do PSM paralisaram suas atividades ontem. Durante 12 horas, o hospital manteve apenas 30% de funcionamento. Os médicos faziam uma triagem e os casos menos graves eram encaminhados para outras unidades de saúde.
A cabeleireira Ruth Oliveira voltava pela segunda vez ao PSM para tentar atendimento. Com o pé torcido, ela saiu sem receber os cuidados necessários e foi orientada a procurar o PSM do Guamá. “Vim ontem (segunda-feira) e fiquei aqui até 1h sem conseguir nada. Voltei agora e é a mesma coisa”.
PROTESTO
Durante a manhã de ontem, os servidores realizaram um ato em frente ao PSM. “Temos equipamentos sem manutenção no laboratório, não tem ar condicionado, nos banheiros não há condições para tomar banho”, exemplifica o médico Elenilson Santos.
A enfermeira Lourdes Rodrigues denuncia que o setor de esterilização também passa por dificuldades. “A sala não tem central de ar nem exaustor. É lá que recebem todo o material sujo, é muito quente, não tem condições de trabalhar lá”. Ela se diz indignada em não poder cumprir suas funções normalmente. “Quando fazemos o curso de enfermagem ou medicina, é para salvar vidas, e não para ver pessoas morrendo na nossa frente, sem poder fazer nada”.
Os servidores também reclamavam da retirada do desconto previdenciário HPS (Hospital Pronto-Socorro) e pediam isonomia do valor do vale-alimentação. “Essa gratificação incorporava na aposentadoria, hoje não tem mais. O vale-alimentação dos servidores do município é de R$220 e o nosso é de R$160”, ressalta o médico.
(Diário do Pará)
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