Para fazer bonito e emocionar ainda mais os cerca de cinco mil fiéis católicos que devem participar da procissão de Corpus Christi, na próxima quinta-feira, as 73 paróquias vinculadas à Arquidiocese de Belém preparam-se desde o último final para a confecção dos coloridos tapetes de ruas, uma das mais marcantes tradições da festa de Corpus Christi que em Belém ocorre pela primeira vez este ano.
A ornamentação especial tomará conta da rua Municipalidade, entre as travessas Frei Gil e Leão XIII, em respeito, de acordo com a Arquidiocese, a uma recomendação da Companhia de Trânsito de Belém (CTBel). Além de serragem, as paróquias devem utilizar para enfeitar as ruas areia colorida e banners temáticos.
Em Belém, a data será marcada também por outras celebrações religiosas. Para iniciar as comemorações da data, às 08h será realizada uma missa na Praça Waldemar Henrique. “A missa será presidida pelo arcebispo de Belém Dom Alberto Taveira, com a presença de todo o clero, paróquias e grupos de Belém”, informou o padre Raimundo Possidônio, pároco da igreja de Nossa Senhora de Fátima e coordenador da Pastoral Diocesana.
Após o termino da missa, os fiéis iniciam a procissão religiosa do Santíssimo Sacramento, até a igreja das Mercês, no bairro do Comércio. A procissão seguirá pela rua Municipalidade, avenida Presidente Vargas, travessa 1º de março, travessa Leão XIII até a travessa Frutuoso Guimarães. “Teremos três bênçãos pelo caminho, a da família, a dos enfermos e a dos jovens”, disse o padre. “Este evento tem relação com o Congresso Eucarístico Nacional, que acontece em Belém, em 2016”, afirmou o padre.
No bairro do Jurunas, é a Guarda da Paróquia Santa Terezinha que se reveza nos preparativos da confecção do tapete desde o último sábado. Responsáveis pela montagem de uma extensa faixa retangular em tom vermelho eles misturam 28 latas de areia a 28 pacotes de corante. “A serragem ficou difícil conseguir aqui em Belém por isso estamos adaptando e utilizando areia. É como se fosse um traço de massa. Mistura a areia, a água e o corante até chegar no tom certo. Depois é colocar pra secar e esperar”, ensina Renato Silva, 56, coordenador da Guarda da Paróquia sob o olhar atento de outro do militar aposentado, Lourival Pereira, 46, que também ajuda. “A gente vai levar pra lá na quarta de noite para começar a montar. Vai ficar muito bonito”, garante.
CAPANEMA
Já em Capanema, nordeste paraense, a tradição de colorir as ruas repete-se há 36 anos. A ornamentação que começou tímida e se restringia apenas as duas ruas próximas à Igreja principal do município, hoje alcança mais de mil metros reunindo anualmente cerca de 30 mil pessoas para apreciar.
“Mais que uma festa religiosa, trata-se de um símbolo de uma manifestação cultural e turística que envolve todo o município. A participação e a interação de várias pessoas faz com que o evento ganhe múltiplas faces. Para o católico é um momento de reflexão em que se acompanha o Corpo de Cristo, mas há também o profano que transforma a data em uma verdadeira festa” explica a historiadora Eliana Antônia de Sousa, moradora do município que estudou a tradição da procissão de Corpus Christi em Capanema em seu trabalho de conclusão de curso.
Transformada em Patrimônio Histórico e Cultural de Natureza Imaterial para o estado do Pará, a procissão, diz a historiadora, segue envolvendo as diferentes gerações do município que a cada ano aperfeiçoam a arte de confecção dos tapetes. “No começo, tratava-se de um evento em que a participação era formada basicamente por movimentos religiosos. Hoje, vemos a participação da população como um todo e até artistas, cada um quer dá a sua colaboração e por isso a manifestação cresce a cada ano”, afirma. Além de serragem tingida, os tapetes ganham forma com tampas de garrafas, areia colorida e até casca de ovo.
(Diário do Pará)
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