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Bisneto de Júlio Cezar cobra correção em homenagem

Eurico Bentes Costa, bisneto do paraense de Acará Júlio Cezar Ribeiro de Souza, apontado como o homem que criou as bases para a aeronáutica moderna transformando balões em dirigíveis, está magoado e indignado com o desrespeito à memória do ilustre paraens

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Eurico Bentes Costa, bisneto do paraense de Acará Júlio Cezar Ribeiro de Souza, apontado como o homem que criou as bases para a aeronáutica moderna transformando balões em dirigíveis, está magoado e indignado com o desrespeito à memória do ilustre paraense. Ele afirma que o medalhão encravado num obelisco na Praça da Bandeira, centro de Belém, não corresponde à figura de seu bisavô.

Em novembro do ano passado, assim que detectou as distorções no monumento, Eurico disse que atravessou a rua e bateu na porta do Comando da 8ª Região Militar para cobrar uma solução para o caso. Foi recebido pelo Major Abinoan. “O Oficial se interessou pelo assunto e mandou que eu fizesse uma correspondência relatando o fato e assim foi feito. Encaminhei uma carta dia 22 de novembro passado e até agora, mais de sete meses depois, não obtive nenhuma resposta”, reclama.

Outros militares, como o tenente Augusto, major Helder e a tenente Lima também teriam se comprometido a resolver a situação, mas tudo ficou na mesma. “Quero apenas que o Exército responda a minha carta. Quero que esse medalhão seja tirado do monumento, pois não corresponde à imagem do meu avô. Já pensei inclusive em procurar a prefeitura para retirar esse medalhão. Não sei a quem recorrer”, diz. Ele reclama ainda que abaixo do medalhão existe apenas o nome “Júlio Cezar”, sem qualquer sobrenome, o que também considera um desrespeito.

Aborrecido com a situação, Eurico disse estar impaciente e ameaçou: “Se o Exército ou a prefeitura não tomarem uma providência, farei o que acho que deve ser feito. Não tenho medo e sou persistente. Passei 15 anos lutando para que o aeroporto de Belém fosse batizado com o nome de Júlio Cezar Ribeiro de Souza e que o nome dele fosse incluído no panteon dos heróis da pátria em Brasília. Isso aqui é fichinha”, aposta.

Apesar do Aeroporto Internacional de Belém ser batizado com o nome do bisavô e ter um busto em homenagem ao seu bisavô, Eurico reclama que os pilotos de todas as aeronaves que pousam em Belém não informam que o Aeroporto Internacional de Belém se chama Júlio Cezar Ribeiro de Souza. “Na Bahia dizem que estão aterrizando no aeroporto Antônio Carlos Magalhães; e no Rio informam o nome de Antônio Carlos Jobim. Porque só no aeroporto daqui que omitem o nome de Júlio Cezar Ribeiro de Souza?“, questiona.

Ele afirma ainda que não existe o nome do bisavô escrito em lugar nenhum do aeroporto de Belém. “É o único aeroporto brasileiro que não tem nome. É um absurdo! Já procurei a Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC e denunciei esse fato”, dispara.

O Major Helder Queiroz, chefe da seção de Comunicação Social da 8ª Região Militar, disse que as praças – e a da Bandeira não é diferente – são de responsabilidade da prefeitura. “Além do mais, não podemos ir num monumento e retirar uma medalha feita por um artista que teve uma visão do Júlio Cezar e o homenageou. Respeitamos a visão do seu Eurico, que é bisneto de um herói nacional, mas não podemos fazer nada e explicamos isso a ele quando ele esteve aqui. Vamos responder a carta dele explicando isso”.

A Assessoria de Imprensa da Infraero informou que em 28 de outubro de 2010 encaminhou documento a todas as companhias aéreas que fazem linha para Belém informando da nova denominação do aeroporto internacional, que em 12 de abril daquele ano passou a se chamar Júlio Cezar Ribeiro de Souza. Informou ainda que não pode obrigar as companhias a informarem o nome correto do aeroporto. Em relação à falta de uma placa e letreiro com o nome de Júlio Cezar no aeroporto, a assessoria disse que está sendo feito um projeto de revitalização que avaliará onde o nome do ilustre acaraense será colocado.

PROCESSO
A Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente (Sema) informou na tarde da última sexta que Eurico Costa deve formalizar sua reclamação na secretaria. Um processo será instaurado para averiguar a procedência da reclamação e para a tomada de providências.

Paraense decifrou a dinâmica do voo
Júlio Cezar Ribeiro de Souza nasceu em 13 de julho de 1843 na Vila do Acará e é apontado como o descobridor dos princípios que tornaram possível navegar pelo ar, abrindo caminho para Santos Dumont chegar ao avião.

Apesar de muito pobre, desde cedo, Júlio Cezar demonstrou uma inteligência fora do comum. Em 1864 publica seus primeiros trabalhos literários e em 1866 seguiu para Montevidéu, onde integrou como voluntário as Forças Militares brasileiras na Guerra do Paraguai

A partir de 1874 Júlio Cezar dedicou-se a decifrar a dinâmica do voo e se tornou inovador no campo da aerodinâmica de apoio no ar. A concepção fusiforme e dissimétrica dos balões; a forma e posição da cauda dos dirigíveis; a composição de forças para a sustentação são exemplos de estudos que realizou.

Em 1880 publica a sua teoria que estabelece o sistema aerodinâmico para dirigíveis, de forma que pudessem resistir ao vento. Essa descoberta estabeleceu para sempre a forma dos dirigíveis e, mais tarde, dos aviões. Júlio Cezar foi o inventor do Zeppelin, que foi patenteado na Alemanha em 29 de outubro de 1891. (Diário do Pará)

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