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Cametá festeja o padroeiro São João

Aquele São João tradicional comentado pelos avós. Interiorano. Familiar. Um pouco profano. Tranquilo, mas envolvendo toda a comunidade. Talvez um dos poucos lugares onde ainda é possível notar esse hábito é no município de Cametá. Hoje com um leve ar de c

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Aquele São João tradicional comentado pelos avós. Interiorano. Familiar. Um pouco profano. Tranquilo, mas envolvendo toda a comunidade. Talvez um dos poucos lugares onde ainda é possível notar esse hábito é no município de Cametá. Hoje com um leve ar de cidade grande, comporta dezenas de comunidades ribeirinhas e trás todas para participar do, já esperado, Círio Fluvial de São João Batista. A romaria que anuncia o início da festividade do padroeiro dos cametaenses coloriu as ruas e rios de Cametá nesse domingo.

Desde cedo, às 5h, centenas de devotos se reuniam em um dos portos da cidade. Três embarcações grandes saíram lotadas a caminho da comunidade de Paruru de Baixo, em uma ilha próxima de Cametá. O percurso durou aproximadamente três horas. Três horas de cânticos em louvor a Deus e agradecimento a São João. “Essa força que fez João Batista falar, esse vento que nos trouxe aqui... eu só sei que vai nos animar a ser luz”. Animou. Todos cantavam e dançavam felizes mostrando que esse era apenas o começo da festividade.

A banda de fanfarra Euterpio Cametaense, a segunda mais antiga do Brasil, tocou os corinhos que fizeram senhoras do grupo folclórico Siriá girarem e dançarem com a jovialidade e empolgação dos netos. Quando aportada, a balsa que levava a imagem peregrina de São João, desembarcou os devotos para um dia de programações culturais. Missa, quadrilha maluca, mastro de São João, danças folclóricas e um rio de águas limpas que refrescou os devotos no calor cametaense.

Somente às 16h, os devotos que foram e os que estavam em Paruru de Baixo retornaram a cidade traçando o Círio Fluvial de São João Batista. Além das três embarcações, mais barquinhos e “rabetas” acompanharam o padroeiro até o porto da balsa. A chegada era aguardada por mais fieis com os olhos fixos no rio, a espera do padroeiro. Saíram de lá em caminhada até a Catedral do Santo, no centro da cidade.

De acordo com o Pároco da Catedral, Padre Raimundo Nonato Rodrigues, o Círio Fluvial é o primeiro ato oficial do da festividade de São João Batista, em Cametá. “Antes dessa grande romaria, nós fazemos as peregrinações e levamos a imagem as escolas, órgãos públicos, a colônia e as comunidades ribeirinhas”, explica. Essa romaria já é feita há mais de 15 anos e cada vez em uma comunidade diferente. “Estamos pensando em fazer essa romaria fluvial de Mocajuba para Cametá no ano que vem, umas três horas de barco”, acrescenta. A participação a população nas festas dos santos é grande, em Cametá. Estima-se que 87% dos habitantes do município sejam católicos, o que explica o incomum número de igrejas para uma cidade do interior. “A festa é um momento de evangelização, onde as pessoas possam encontrar a Cristo por meio do Santo, além de reforçar ou plantar um espírito de solidariedade as pessoas”, afirma.

DEVOTOS

Maria das Graças mora na ilha Sacará, próximo ao município de Limoeiro do Ajurú e veio participar da romaria, para interceder pela saúde do marido. “Meu esposo está doente e está aqui em Cametá, aproveitei e vim receber São João aqui no porto. É a primeira vez que participo”, conta. Hécio Costa mora em Cametá, mas confessa que não pode participar sempre da romaria.

“Por causa do trabalho esse é o segundo ano que eu venho vê-lo chegar, mas acho muito importante nós participarmos, afinal é nosso padroeiro”, aponta. Dona Laudemira Magalhães de 83 anos, mesmo de aparência cansada, estava em Paruru de Baixo quando a imagem peregrina chegou. “Sou doente, mas vim. Adoro essa festa. Devo tudo a São João”, relata. Jaqueline Souza veio com o marido e a família da comunidade de Uchipiara porque não perde as festividades de São João Batista. “Nessas festas sempre venho. Tragos meus filhos e ajudamos aqui. A comunidade se alegra muito”, considera. (Diário do Pará)
(Diário do Pará)

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