Os ânimos ficaram exaltados durante a assembleia que aconteceu no início da noite desta segunda-feira (11) entre os servidores da saúde do município de Belém. Além de votar a favor da continuidade da greve amanhã (12), os servidores também decidiram, durante a reunião, que o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde) não está representando a classe adequadamente frente a greve e, por isso, não pode mais ter voz durante o movimento.
Segundo Nelson Conceição, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Estado do Pará (Sintesp), o Sindsaude não apresentou ao município uma pauta de reivindicações correspondente a necessidade dos funcionários.
"O Sindsaúde não ouviu as reclamações dos servidores. Ele se reuniu com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e assinou um documento que dava um prazo de 45 dias para o município ainda fazer uma avaliação monetária e nos responder se é possível iniciar algum tipo de negociação", relatou Nelson. Por isso, ficou definido que todas as decisões e negociações da classe serão guiados, a partir de hoje, serão guiadas apenas pelo comando de greve.
O Sindsaude foi procurado pela reportagem do DOL para falar sobre o assunto, mas não foi localizado.
BRAÇOS CRUZADOS
"Até agora a Prefeitura não ofereceu nenhuma proposta. Enquanto não houver negociação, a classe continuará em greve", afirmou Denis Vale, advogado do comando de greve dos funcionários da saúde do município. Segundo ele, o fim da paralisação segue indeterminado.
Denis alertou para o fato do fim do prazo de 45 dias proposto pela Prefeitura coincidir com o início do período de três meses que antecede as eleições municipais de 2012, em Belém. "A proposta de isonomia do vale alimentação para os servidores não pode ser cumprida nesse prazo que antecede as eleições, pois a legislação impõe essa regra para que a máquina do governo não seja usada a favor de campanhas", explicou.
O advogado também garantiu que outras unidades de saúde também vão aderir ao movimento amanhã, mas não quis especificar quais. Denis apenas confirmou que os médicos do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) e os servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) também pretendem paralisar amanhã.
A mobilização dos servidores que estão em greve inicia amanhã, às 7h, em frente ao Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (HPSM), localizado na travessa 14 de março. Eles cobram melhorias nas condições de trabalho, gratificação especial para servidores de unidade de urgência e emergência e a isonomia do vale alimentação, além do HPS, que é uma gratificação paga aos funcionários que trabalham nos dois Pronto Socorros Municipais. (Shamara Fragoso/DOL)
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