A greve dos funcionários do Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti continua nesta terça-feira (12), fortalecida pela adesão dos Sindicatos dos Enfermeiros. Os servidores permanecem concentrados em frente ao hospital, localizado na travessa 14 de março, em Belém.
Ainda ontem, os servidores da Unidade de Saúde do bairro da Sacramenta aderiram à greve e outras unidades ainda podem se juntar ao movimento iniciado nesta segunda-feira (11), inspirado pela paralisação nacional da Saúde.
Existia a expectativa de que os funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) também se unissem à paralisação, mas isso não ocorreu, pois não foi realizada uma assembleia da categoria para haver votação sobre a greve.
Depois de uma paralisação de 24h na semana passada, os funcionários do PSM da 14 de Março entraram oficialmente em greve e ainda não há previsão para o encerramento, segundo afirmou Rosana Rocha, técnica de enfermagem do hospital e coordenadora do movimento grevista. "Teremos ações como uso de carro som e panfletagem durante todo o dia e teremos três grupos que irão fazer revezamento nas principais unidades de saúde com carro som e panfletagem", informou.
Uma nova assembleia dos servidores de saúde está marcada para as 18h de hoje, onde novamente serão discutidos os rumos da paralisação e as tentativas de negociações com a Prefeitura de Belém.
A categoria reivindica melhorias nas condições de trabalho, gratificação especial para servidores de unidade de urgência e emergência e a isonomia do vale alimentação, além do HPS, que é uma gratificação paga aos funcionários que trabalham nos dois pronto socorros de Belém.
O diretor do PSM, Orlando Brito, afirmou que estão sendo tomadas providências para melhorar as condições de trabalho dos servidores e o atendimento aos pacientes.
ATENDIMENTOS
Rosana Rocha afirma que os atendimentos seguem dentro das normas da greve."Um trabalho de conscientização já vinha sendo feito dias atrás, explicando a situação”. Ela diz que os pacientes estão sendo informados sobre a greve, mas os 30% de funcionários está sendo mantido, de acordo com a lei. “Todos que procurar o serviço, na medida do possível, foram atendidos", alegou Rosana.
SINDICATOS
Em uma tensa assembleia na noite de ontem, além de optar pela continuidade da paralisação, os servidores decidiram que o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde) não está representando a classe adequadamente frente a greve e, por isso, não pode mais ter voz durante o movimento. Segundo Nelson Conceição, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Estado do Pará (Sintesp), o Sindsaude não apresentou ao município uma pauta de reivindicações correspondente a necessidade dos funcionários.
"O Sindsaúde não ouviu as reclamações dos servidores. Ele se reuniu com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e assinou um documento que dava um prazo de 45 dias para o município ainda fazer uma avaliação monetária e nos responder se é possível iniciar algum tipo de negociação", relatou Nelson.
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Agora, as decisões e as negociações da classe serão guiadas apenas pelo comando de greve. "Até agora, a Prefeitura não ofereceu nenhuma proposta. Enquanto não houver negociação, a classe continuará em greve", afirmou Denis Vale, advogado do comando de greve dos funcionários da saúde do município. Segundo ele, o fim da paralisação segue indeterminado.
Sobre as reivindicações da classe, Denis alertou para o fato do fim do prazo de 45 dias proposto pela Prefeitura coincidir com o início do período de três meses que antecede as eleições municipais de 2012, em Belém. "A proposta de isonomia do vale alimentação para os servidores não pode ser cumprida nesse prazo que antecede as eleições, pois a legislação impõe essa regra para que a máquina do governo não seja usada a favor de campanhas", explicou.
(DOL)
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