A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começou nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro, com um único consenso. O de que não haverá um entendimento consensual sobre o que são as metas sustentáveis para o planeta, qual o papel que cada país deve assumir diante disso e - para frustração de ambientalistas - sem estabelecer metas viáveis de comprometimento ambiental, já que a maioria dos principais países da economia mundial, como os Estados Unidos, esquivam-se de assumir compromissos nesse sentido. Já o governo brasileiro pretende fazer da conferência um guia para os próximos anos.
De qualquer forma, foi com um discurso de otimismo que a presidenta Dilma Roussef fez a abertura do Pavilhão Brasil na Rio+20. Acompanhada dos ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Antonio Patriota (Relações Exteriores), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Aloísio Mercadante (Educação), Ana de Holanda (Cultura), Edison Lobão (Minas e Energia), Helena Chagas (Comunicação), Gastão Vieira (Turismo) e Marco Antonio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação), a presidenta inaugurou o pavilhão brasileiro que será o carro-chefe do governo federal na apresentação de programas e projetos federais, estaduais e municipais para a promoção do desenvolvimento sustentável e inclusão social.
A presidenta chegou ao local de helicóptero às 11h30, meia hora depois do tempo previsto. O acesso complicado dificultou até mesmo a entrada de personalidades ao local onde Dilma faria a cerimônia oficial. Logo depois, a presidenta circulou pelos estandes expositivos.
Até a sexta-feira, 15, serão feitas as últimas negociações sobre o documento que será levado aos chefes de governo, chamada de “Reunião do Comitê Preparatório da Rio+20”. A partir do dia 16, se estendendo até o dia 19, o governo brasileiro organiza mesas de debate sobre temas ligados à sustentabilidade com especialistas na área, nos “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”. A fase final, chamada de “Segmento de Alto Nível”, com presidentes e líderes de governos, vai de 20 a 22 de junho.
Paralelo a esses eventos oficiais, os movimentos sociais também prepararam a própria versão da Rio + 20. Documentos com propostas alternativas ao que é feito pelos países serão encaminhados também ao fim da conferência.
A Rio + 20 é um evento marcado por contradições. Ao mesmo tempo em que há carrinhos elétricos e ‘ecologicamente corretos’, há uma série de estandes com multinacionais de ‘fast-food’. Segundo a coordenação da Rio + 20, as emissões de gases do efeito estufa decorrentes da organização da conferência serão compensadas por projetos brasileiros do que é chamado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
Boas iniciativas devem ser mostradas durante toda a conferência. O Pará, por exemplo, vai apresentar o programa Municípios Verdes como pedra angular da mudança de mentalidade a respeito do estado, quando visto pelo resto do Brasil e do mundo.
Hoje, será apresentado em seminário o Fundo Kayapó, o primeiro mecanismo financeiro criado exclusivamente para o financiamento a longo prazo de projetos em cinco terras indígenas Kayapó, na região do sudeste amazônico. Representantes da Conservação Internacional (CI-Brasil), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) apresentarão os detalhes da criação e operacionalização do novo fundo. O evento contará ainda com a presença das lideranças Kayapó Raoni e Megaron.
O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) será o gestor dos recursos do fundo, que serão destinados a apoiar projetos de organizações indígenas voltados para o controle e monitoramento de terras Kayapó, para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis e para atividades de gestão, custeio e manutenção das organizações indígenas.
Esse tipo de iniciativa ainda é controversa, pois, como tudo que se refere a questões indígenas, não há consenso. Setores ambientalistas criticam determinados projetos, principalmente os que lidam com a questão dos créditos de carbono e dos serviços ambientais. É desse tipo de contradição e controvérsia que a Rio + 20 vai se alimentar nos próximos dez dias.
FUNDO KAIAPÓ
Será apresentado hoje pelo Brasil como o 1º mecanismo financeiro criado exclusivamente para o financiamento a longo prazo de projetos emcinco terras indígenas Kaiapó, no sudeste da Amazônia, incluindo o Pará. O fundo já criou algumas controvérsias.
PARÁ
O governo vai apresentar o projeto Municípios Verdes como guia para chamar a atenção sobre a mudança de mentalidade do Brasil e do resto do mundo sobre a imagem do estado, além de outras ações e projetos.
(Ismael Machado/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar