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Pré-candidatos já interagem com o eleitor

No próximo dia 5, quando os candidatos formalizarem seus registros junto ao Tribunal Regional Eleitoral, um item não poderá faltar entre os muito documentos exigidos: o resumo do programa de governo. Resolução publicada no ano passado reiterou a necessida

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No próximo dia 5, quando os candidatos formalizarem seus registros junto ao Tribunal Regional Eleitoral, um item não poderá faltar entre os muito documentos exigidos: o resumo do programa de governo. Resolução publicada no ano passado reiterou a necessidade de candidatos a cargos majoritários entreguem à Justiça resumo das propostas para administração. O material será disponibilizado aos os eleitores ao longo da campanha. A lei não prevê punições para quem deixar de cumprir o programa, mas isso não significa que os candidatos que prometem e não cumprem estejam livres de sanção. A punição está nas mãos dos eleitores que podem comparar o programa com a administração e decidir se o candidato merece novamente ser alvo de confiança.

A importância do programa de governo na decisão do eleitor divide opiniões. Há quem garanta que ele acaba ficando em segundo plano em meio à campanha movida a jingles e discursos emocionais. Para uma parcela da população, contudo, as propostas podem ser decisivas na hora de escolher em quem votar.

O pré-candidato do PT, Alfredo Costa, realizou oito debates nos distritos de Belém. “Ouvimos a contribuição de militantes, simpatizantes e técnicos, num total de cerca de 1,5 mil pessoas”, conta. As informações coletadas nesses encontros ainda serão apresentadas aos setoriais do PT e aos demais partidos que coligarem com a legenda. Costa afirma que as prioridades surgidas nas conversas são saúde, educação, mobilidade urbana, habitação e saneamento. O programa detalhado estará ponto após conversões.

Arnaldo Jordy, do PPS, conta que a elaboração do programa está sendo feita por um grupo de especialistas em várias áreas. Ao todo, são onze profissionais. “Cada um em sua área está elaborando uma ideia base que depois será apresentada em plenárias para receber sugestões e só então é que fecharemos”. Jordy assinou documento se comprometendo a aderir ao programa Cidades Sustentáveis do Instituto Ethos. Como já diz o nome, o programa sugere uma série de metas para o desenvolvimento urbano de forma sustentável. A expectativa é de que o documento esteja concluído até o final de julho e será exposto no site do candidato e também nos programas de TV.

O candidato do PSDB, Zenaldo Coutinho, também recorreu a grupo de profissionais para analisarem as diversas áreas consideradas prioritárias e sugerirem as linha gerais. Além disso, conta Coutinho, foram realizadas dezenas de reuniões com categorias profissionais, representantes de bairros e especialistas. “Desde janeiro temos realizado os encontros. As linhas básicas refletem esses diálogos”.

Zenaldo diz acreditar que o programa terá grande influência nas campanhas e prevê que o eleitor estará atento às propostas. “Devem ser metas ousadas, factíveis e bem comunicadas”.

O pré-candidato do PMDB, José Priante diz que decidiu fazer um processo diferente. “Primeiro estamos ouvindo a sociedade, auscultando as ruas. Também estamos fazendo uma pesquisa com dados para só então os técnicos formatarem essas demandas dentro da nossa visão política e dos adversários e dos limites orçamentários”. Priante diz que seu programa “está no forno”, mas deve ter uma versão preliminar até o dia 30. “Acho que estamos em uma nova era, em que as pessoas estão mais atentas às propostas e também se elas são possíveis de ser executadas. Não acredito que alguém possa vencer uma eleição só com gracejos e simpatia. É preciso deixar claro o que pretende fazer e, o mais importante, como vai fazer”, diz.

O PR do pré-candidato Anivaldo Vale também apostou em encontros com lideranças em vários bairros de Belém para só então finalizar um programa. Foi uma iniciativa para discutir com a população os problemas da cidade, buscando propostas e sugestões que atendam as necessidades dos moradores. Em todos os encontros, temas como Saúde, Educação, Segurança Pública, Transporte, Cultura, Saneamento, Lazer e outros estiveram em debate”, explicou Vale. Ele afirma que, além das propostas discutidas nos bairros e distritos, outras serão somadas a partir dessas sugestões dos demais partidos que estarão na aliança com o PR, que tem apoio oficial do PTB do atual prefeito Duciomar Costa.

O programa de Edmilson Rodrigues, do Psol, iniciou com a definição dos princípios programáticos da legenda. Também estão sendo realizadas plenárias por setores. Até agora foram reunidas cerca de 900 pessoas. As sugestões estão sendo sistematizadas por um grupo de especialistas colaboradores da campanha, para só então serem apresentadas aos eleitores.

Só 20% dos eleitores debatem projetos

Ainda são poucos os eleitores que prestam atenção aos programas dos candidatos e que consideram essa variável determinante na hora da escolha em quem votar. É o que afirma o cientista político e pesquisador da Universidade Federal do Pará Edir Veiga. Ele aponta em cerca de 20% o percentual de cidadãos aptos a votar que procuram discutir as propostas dos candidatos. “Esse percentual é representado pelos eleitores mais bem informados que leem jornal, procuram dados na Internet”, explica. Para a maioria, segundo ele, a decisão é tomada a partir da comparação com administrações passadas. “Por isso que, em geral, quem está ou esteve no governo acaba polarizando a discussão”.

Outro fator que ainda contribui para a escolha, diz ele, são os apoios. “Depende também da capacidade do candidato de executar ações imediatas, como asfalto, aterro, caixas d’água”.

Veiga diz que o programa de governo deve ser formado por um conjunto de propostas articuladas entre em si para execução ao longo do mandato.

Também pesquisador da UFPA, o cientista político Roberto Corrêa afirma que atualmente os programas são resultado de pesquisas, o que pode fazer com que os candidatos acabem se apresentando propostas muito semelhantes. As demandas também variam de acordo com o bairro e a condição social. “Pode ser que, para a classe média de Belém, as questões mais prementes sejam mobilidade, áreas verdes, enquanto nos bairros mais pobres as urgências estão nas áreas de saúde e educação ou segurança”.

PUNIÇÃO

Em um ponto, os especialistas e até mesmo os candidatos concordam. Analisar o programa é um bom caminho para escolher bem o próximo gestor da maior cidade da Amazônia. E, para quem fizer promessas que não forem cumpridas, a maior punição é perder a eleição.

(Diário do Pará)

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