Os cinco quilômetros da avenida Vieira Souto, considerada uma das mais charmosas do Rio de Janeiro, foram tomados ontem pela manhã por mais de mil manifestantes, segundo a Guarda Municipal carioca, representando cerca de 30 entidades ligadas a movimentos sociais. A manifestação tinha um alvo certo: o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chamou o Holocausto de grande fraude na quarta-feira.
A passeata, no entanto, acabou ganhando conotações maiores, servindo como uma manifestação contra a intolerância em todas as formas possíveis. O presidente do Irã tem a vinda ao Brasil prevista para participar da Rio + 20. Mas os cartazes, em português e inglês, lembravam que o líder iraniano não seria bem vindo à cidade.
Membros de comunidades afro-religiosas, movimento LGBT, diversas comunidades judaicas do Rio de Janeiro, Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Direitos Humanos, entre outras entidades, participaram da passeata, embalada ao som dos tambores do Afroreggae.
O lema da passeata foi “O mundo sem direitos humanos é insustentável”. Um dos organizadores do evento, Michel Gherman, puxava as palavras de ordem ao longo da caminhada que chamou a atenção dos banhistas e turistas na praia de Ipanema. “É uma passeata contra o discurso do ódio”, disse Gherman.
A passeata serviu também para que os grupos gays lançassem o manifesto LGBT na Rio + 20. “Estima-se que mais de 4 mil homens gays e mulheres lésbicas já foram executados desde a revolução islâmica de 1979. Muitos outros foram torturados e detidos. O presidente Ahmadinejad já declarou em várias ocasiões que não existem homossexuais no Irã.
Em abril de 2012, um clérigo iraniano criticou os homossexuais e a legalização de direitos dos gays, no Ocidente, declarando que os homossexuais e os políticos pró-gays são inferiores aos animais”, diz o documento.
Quatro árvores secas, feitas de material reciclado, simbolizavam a passeata. “Desrespeito aos direitos humanos não se sustenta”, dizia um cartaz colado às árvores. Segundo o criador das árvores, Leonardo Zonenschein, a ideia era simbolizar a falta de respeito do presidente do Irã em relação aos direitos humanos.
Já o movimento negro fazia uma comparação entre o holocausto e o período escravocrata no Brasil. Hoje mais uma passeata é prevista. A Marcha das Mulheres irá também tomar conta das ruas cariocas na programação paralela da Rio + 20.
(Diário do Pará)
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