Fernanda Toledo, 23 anos, saiu de Mato Grosso do Sul cinco dias atrás. Junto a mais 17 amigos, foi de bicicleta até o Rio de Janeiro. Ontem, Fernanda exibia os seios nus a mais de cinco mil pessoas numa manifestação pela liberdade de ‘não ser dona do corpo apenas para o sexo’. Manifestação idêntica fizeram a brasiliense Juliane Alves, 22 anos e a curitibana Aline Schenk, 21. As três chamaram a atenção por intermédio do protesto de exibir partes do corpo como forma de conscientização feminina.
Essa foi uma das múltiplas maneiras que as mulheres encontraram para mostrar ao mundo o posicionamento feminino na Rio + 20. A Marcha das Mulheres reuniu cerca de 5 mil pessoas, segundo a Guarda Municipal do Rio de Janeiro, ontem, numa caminhada de aproximadamente dez quilômetros, entre o Aterro do Flamengo até o Largo da Carioca, no centro da cidade.
Mulheres quilombolas, indígenas, ligadas a sindicatos, do MST, da Via Campesina, estudantes e de partidos políticos. Todas com reivindicações semelhantes. Igualdade, socialismo, direitos humanos, fim da violência. “Nossas reivindicações são iguais porque vivenciamos problemas semelhantes”, diz Isabel Genecílio, da Associação de Quilombolas Rurais do Brasil. “No nosso caso, a demarcação de terras é algo primordial, principalmente porque há um movimento no Senado que pretende acabar com os direitos quilombolas. Será um retrocesso, porque precisamos do espaço, da terra”.
Segundo a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, Nalu Faria, as mulheres são sempre duplamente exploradas no atual modelo econômico. “Querem transformar tudo em valor de troca, mas precisamos mostrar que a economia é mais do que sermos mercadorias”.
A concentração da marcha foi feita na Cúpula dos Povos. Apitaços, danças típicas e palavras de ordem deram o tom da manifestação. De Recife vieram as panteras indignadas. “Iradas com as indignidades cometidas contra as mulheres”, dizia Gigi, a coordenadora do grupo, todas mulheres fantasiadas de onças.
De Ananindeua, Rosana Freitas, representava o Fórum das Mulheres Amazônicas. “Nossa luta é pela reforma urbana, por mais moradias dignas”, dizia, com a camisa da bandeira do Pará.
Próximo ao final da caminhada, algumas mulheres decidiram tirar as blusas e escrever no próprio corpo mensagens de protesto. Seja contra Belo Monte e outras usinas hidrelétricas ou da mercantilização do próprio corpo. “Mulher bonita é a que luta”, dizia a mensagem nas costas de uma manifestante nua. “Feministas contra o capitalismo”, “O corpo é meu”, “Madeira e Xingu vivos”. Com os corpos servindo de mural, a mensagem se tornou clara.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar