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Programação dá voz a opinião dos opostos

São dois mundos que poderiam ser complementares, mas que se apresentam como opostos na Rio + 20. De um lado, há o semblante mais fechado e as roupas que não variam muito de tons, quase sempre escuras. De outro, o colorido, os rituais e as danças como part

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São dois mundos que poderiam ser complementares, mas que se apresentam como opostos na Rio + 20. De um lado, há o semblante mais fechado e as roupas que não variam muito de tons, quase sempre escuras. De outro, o colorido, os rituais e as danças como parte do processo político.

É assim que se diferenciam os que participam ativamente da programação da Rio + 20 no Riocentro, a oficial, dos que fazem a programação paralela na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo. Os dois mundos não se encontraram ainda na Rio + 20. Talvez nem venham a se cumprimentar. Deveriam.

Escoltados por batedores, com ruas interditadas à sua passagem, os líderes de governo do mundo irão discutir e tomar decisões que certamente afetarão os que estão acampados a quilômetros de distância.

As decisões virão de cima. Nos bairros da Glória e do Flamengo, as caravanas chegam festivas, com roupas étnicas e bandeiras de movimentos sociais. Ninguém escolta os índios que atravessam com trajes típicos os semáforos e se dirigem ao metrô. No primeiro dia, alguns deles se perderam nas ruas da cidade.

Mas foi dos índios que veio o documento mais contundente até o momento da Rio + 20 até agora, exigindo o cumprimento da lei máxima do País, a Constituição, que garante o direito da posse das terras já demarcadas.

Mesmo os protestos são criativos e bem-humorados em alguns casos. O microempresário André Luiz, 51 anos, passou doze horas no mesmo lugar, numa simbólica crucificação a si próprio. O protesto ganha sentido diferente.

É sempre temático, segundo ele. Nascido em Ponte Nova, interior de Minas Gerais, Luiz já fez greve de fome por cinco dias em protesto contra os fichas-sujas em Brasília. Desde 2007, perambula por onde há algum movimento digno da própria atenção. “O mundo está muito desequilibrado. Está em descompasso consigo mesmo”, diz Dhire, um jovem hare krishna negro. Segundo ele, há muita correria para nada.

“As pessoas esquecem a possibilidade do lúdico, do sonhar”, diz a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, aplaudida de pé ao fim de um debate sobre a nova economia. No Riocentro, as decisões esbarram na questão financeira e no fato de que pouco se quer ceder.

Essas posições antagônicas, de certa forma, foram expostas no ‘Diálogo para uma economia verde, que contrapôs Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com representantes da Cúpula dos Povos.

(Diário do Pará)

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