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Médicos da Santa Casa fazem manifestação

Os médicos da Santa Casa de Misericórdia do Pará realizaram uma manifestação em frente ao portão do hospital na manhã de hoje (19). O objetivo era chamar atenção dos gestores estaduais da área de saúde para uma série de reivindicações que foram aprese

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Os médicos da Santa Casa de Misericórdia do Pará realizaram uma manifestação em frente ao portão do hospital na manhã de hoje (19). O objetivo era chamar atenção dos gestores estaduais da área de saúde para uma série de reivindicações que foram apresentadas à secretaria e à direção do hospital há três meses e ainda não foram atendidas.

Segundo Wilson Machado, médico da Santa Casa e diretor do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), em março a categoria assinou um documento em que o secretário de estado de saúde pública e a gestão do hospital se comprometiam a solucionar os problemas apontados.

Entre as reivindicações dos médicos está a luta pela instauração do conselho gestor, que deveria ter sido colocado em funcionamento nos últimos meses mas que, até o momento, não recebeu nenhuma convocação. "O conselho gestor acompanha e fiscaliza a gestão do hospital, é fundamental para que qualquer instituição séria mantenha o bom funcionamento", argumenta o dirigente.

Os médicos também pedem a integração de um membro da neonatologia no Comitê Materno-Infantil, que faz o protocolo de atendimento das parturientes, além da manutenção de escalas de trabalho completas. Segundo os médicos, as escalas deveriam contar com pelo menos dois neonatologistas de forma permanente, o que não tem acontecido sempre, principalmente à noite e aos fins-de-semana. O sindicato também cobra da gestão o pagamento da GDI( Gratificação de Desempenho Institucional) que deveria ser creditada trimestralmente e que ainda não foi paga desde março.

O dirigente nega que a manifestação tenha sido em retaliação a descontos feitos na folha de pagamento de março devido a faltas de plantões e atrasos, como foi alegado pela presidente da Santa Casa em matéria divulgada pela Secretaria de Comunicação do Estado, publicada na Agência Pará. "É claro que quando o funcionário é descontado ele não fica satisfeito, então ele vai reclamar. Mas esta não é e nunca foi uma pauta nossa. O sindicato não discute os descontos por falta. Esse é o papel do gestor, se houve falta ou atraso o seu dever é descontar e o sindicato não questiona e nem se mete nisso", afirmou Wilson Machado.

Condições de trabalho

Aos médicos, uniram-se os funcionários do hospital, representados pela Associação de Funcionários da Santa Casa, que deram apoio às reivindicações de melhorias das condições de trabalho de uma maneira geral.

"Nós sentimos que, pelo fato de estar sendo construído outro hospital, as instalações antigas ficaram esquecidas. As condições de trabalho estão ruins, de uma maneira geral. Em alguns setores já há a falta de equipamentos e alguns medicamentos, isso tudo dificulta a realização do nosso trabalho. A briga por um ambiente de trabalho confortável, higiênico e equipado visa nada mais que o reflexo disso em um atendimento de qualidade para o público", afirmou o médico.

Sespa

Apesar da manifestação, a Secretaria de Saúde do Estado garantiu que o atendimento à população não foi prejudicado. Segundo a secretaria, apenas oito cirurgias agendadas deixaram de ser realizadas.

Em matéria publicada na Agencia Pará, a presidente da Santa Casa, Eunice Begot, afirma que o protesto ocorreu por "descontentamento com as medidas administrativas saneadoras que a direção do hospital tem aplicado na gerência de plantões não cumpridos, atrasos e faltas durante a rotina de trabalho", o que teria resultado no desconto de R$ 147 mil da folha de pagamento de março.

Em relação as reivindicações dos médicos, a gestora disse que não procedem, pois estão sendo resolvidas. Sobre a falta de condições e trabalho, a matéria da Agência Pará aponta que a Santa Casa vai investir, a partir deste mês, R$ 2 milhões na compra de materiais e novos equipamentos para o hospital. Quanto à falta de médicos da neonatologia, a gestora da Santa Casa garante que a presença de dois médicos na sala de parto já é cumprida, mas atribui ao não cumprimento eventual, por parte dos funcionários, da carga horária exigida.

Para Begot, a paralisação dos médicos, que foi comunicada a tarde de ontem (18) é ilegal , já que não foi informada no prazo devido - 72 horas de antecedência. A Santa Casa acionou o Ministério Público Estadual para garantir o atendimento à população. "Por enquanto apenas as cirurgias estão prejudicadas, mas não podemos deixar que outros serviços sejam paralisados", disse a presidente.

(Marina Chiari/ DOL)

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