O assassinato da travesti Bianca está causando vários questionamentos sobre a segurança da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bisexuais e Travetis) em Belém. O fato trouxe à tona o problema da homofobia e será alvo de duas reuniões entre os movimentos homossexuais e os responsáveis pela segurança pública no Estado.
Na próxima quinta-feira (21), às 15h, a reunião do Conselho Estadual de Segurança Pública do Pará terá uma pauta sobre a morte de Bianca.
“O conselho aprovou um plano estadual de segurança e combate a homofobia em 2010. Nós queremos cobrar a real implementação deste plano – o que ainda não aconteceu - e uma investigação profunda para punir os responsáveis pelo assassinato da Bianca”, explicou Beto Paes, coordenador do movimento LGBT do Pará.
A outra reunião deve ocorrer na próxima segunda-feira (25), entre os LGBT´s e o delegado geral da Polícia Civil do Pará, Nilton Atayde, quando o movimento irá cobrar a apuração do caso e a postura da polícia sobre o assassinato.
“Achamos infeliz a declaração da Policia Civil, que tentou justificar o assassinato (da Bianca), dizendo que algumas travestis cometem crimes naquela área (Rua Barão do Triunfo, esquina com a Av Almirante Barroso). Não queremos passar a mão na cabeça de ninguém. Se alguém comete crime, deve ser julgado e punido, mas não ser assassinado de forma brutal como aconteceu”, critica Paes.
ASSASSINATOS HOMOFÓBICOS
Segundo informações do movimento LGBT do Pará, somente este ano já foram assassinados 19 homossexuais no Estado. Em 2011 foram 27 mortes e 103 nos últimos três anos. A nível nacional, segundo dados do movimento LGBT da Bahia, foram 286 mortes de gays, lésbicas, bissexuais e travestis somente no ano passado. Estes números geram revolta e muitas críticas à democracia brasileira, por parte dos movimentos de diversidade sexual.
“Nós temos certeza que a morte de homossexuais mancha de sangue o Brasil, país que se diz democrático e laico, mas que não tem feito nada para punir as pessoas que cometem este tipo de crimes absurdos. Não podemos mais tolerar isso. Temos que criminalizar a homofobia”, avalia Beto.
KIT ESCOLA SEM HOMOFOBIA
A desistência do governo Dilma de implantação do kit escola sem homofobia também gerou muitas críticas do movimento LGBT de Belém, que via no material um importante passo para a educação dos jovens para o respeito à diversidade sexual.
“O nosso sentimento é de muito descontentamento com a presidente Dilma, que cancelou a aplicação do Kit porque seu ministro estava sendo acusado de corrupção. Várias organizações LGBT´s apoiaram a candidatura dela e tiveram essa resposta” desabafa o coordenador do movimento LGBT do Pará. (Felipe Melo/DOL)
Leia também:
>>Familiares pedem justiça em velório de travesti
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar