A greve dos servidores do HPSM da 14 de abril entra no seu décimo dia nesta quarta-feira (20). Até o momento, não existe nenhuma sinalização do final do movimento grevista no principal hospital de pronto socorro público da capital paraense.
Segundo o comando do movimento, a mobilização só se fortaleceu nesta terça-feira (19), após o recebimento de um documento enviado pela Secretaria de Saúde do Município de Belém (SESMA).
“Este documento foi uma resposta da reunião que fizemos ontem (segunda-feira) com uma comissão da Sesma. Nós estamos negociando os dias parados e eles não falaram nada sobre isso no documento. Sobre a isonomia do vale-alimentação eles afirmaram que vão fazer um estudo orçamentário, mas não tem previsão de nada concreto. Na verdade eles não querem dar nada para a categoria, por isso a assembleia votou que a greve continua”, explica Rosana Rocha, membro do comando de greve do HPSM.
As lideranças do movimento também denunciam as péssimas condições de trabalho no hospital e afirmam que a Secretaria de Saúde não respondeu a estas demandas. “Nós pedimos suporte para soro, contêiner para transporte de material infectado, mais cadeiras de roda – só temos duas, inclusive estamos utilizando uma para transporte de materiais infectados – além de mais macas e colchonetes. Tudo isso falta no pronto socorro e a Sesma nos responde mostrando uma lista de materiais que foram comprados ou estão orçados para este ano. Na prática não apresentam solução”, afirma, indignada, Rosana.
A mobilização exige melhores condições de trabalho, isonomia do vale-alimentação no valor de R$ 220,00, reintegração da HPS, gratificação especial para servidores de urgência e emergência e contra a privatização da saúde.
REUNIÃO
O Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA) convocou o comando de greve para uma reunião na manhã desta quarta-feira (20). O MPE-PA não confirmou a convocação da Sesma e nem do SINDSAUDE para a referida reunião.
SINDICATO
O advogado do comando de greve, Denis Vale, reitera que o SINDSAUDE não tem legitimidade para negociar em nome da categoria. “A prefeitura se baseia em uma negociação com o sindicato, mas o SINDSAUDE está sem gestão legal e não pode falar em nome da categoria. Só o comando de greve pode negociar em nome dos trabalhadores do HPSM Mário Pinotti”, conclui o advogado.
ATO UNIFICADO
Na manhã desta terça-feira (19), os servidores do HPSM da 14 de abril fizeram uma manifestação e contaram com o apoio dos médicos da Santa Casa de Misericórdia do Pará, que também realizaram protesto exigindo melhores condições de trabalho do Governo do Estado. O protesto foi um enterro simbólico do prefeito Duciomar Costa.
OUTRO LADO
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que recebeu na tarde desta segunda-feira (18) a comissão dos servidores do HPSM Mário Pinotti com um documento contendo reivindicações. A Secretaria disse que está avaliando todas as propostas e responderá à comissão, assim como também esteve reunida com o Sindicato dos Médicos do Pará – Sindmepa e nesta segunda recebeu do documentos com reivindicações da categoria. Uma nova reunião foi agendada com a classe para a próxima terça-feira (26).
Ainda segundo a assessoria, os manifestantes que aderiram à paralisação não representam 10% do total de 1.200 servidores do Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (Umarizal). Quanto às reivindicações feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Pará (SindSaúde), todas já teriam sido atendidas, desde o dia 1º de junho, entre elas, o aumento do ticket-alimentação de R$ 160 para R$ 220, chegando assim a uma isonomia com todos os servidores da Sesma; o retorno do desconto previdenciário do PSM (Pronto Socorro Municipal),um benefício para os servidores que atuam no Hospital Municipal e que receberam gratificação após a aposentadoria; e o adicional de turno.
A Sesma garante que o atendimento no HPSM do Umarizal não está prejudicado com a paralisação. Durante este final de semana, nos dias 16 e 17, o hospital registrou cerca de 259 atendimentos. (Felipe Melo/DOL)
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