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Servidores da saúde suspendem greve

Os servidores do Hospital do Pronto-Socorro Mario Pinotti, na 14 de Março decidiram suspender a greve que já durava dez dias, em assembleia realizada, quarta-feira (20) á noite, em frente ao hospital. Eles decidiram esperar o prazo de 45 dias, solicitado

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Os servidores do Hospital do Pronto-Socorro Mario Pinotti, na 14 de Março decidiram suspender a greve que já durava dez dias, em assembleia realizada, quarta-feira (20) á noite, em frente ao hospital. Eles decidiram esperar o prazo de 45 dias, solicitado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) para cumprir as reivindicações apresentadas pela categoria.

Os servidores, entretanto, disseram que vão colocar um cronômetro na frente do hospital para o acompanhamento dia a dia do andamento do cumprimento ou não das propostas. A categoria decidiu manter o estado de greve e ameaça retomar o movimento caso as reivindicações não sejam atendidas.

A Sema prometeu realizar um levantamento em 45 dias e melhorar as condições de trabalho no hospital e divulgar o material que já está licitado para compra e que deve ser destinado ao hospital.

No mesmo prazo, a secretaria promete dar uma resposta sobre o pagamento do auxílio alimentação, reajustado para R$ 220, para todos os funcionários e não só para os que trabalham 12h e os de regime integral como acontece hoje.

O abono HPS e a gratificação para quem trabalha na urgência e emergência deverão começar a ser pagos a partir de setembro. Eles também conseguiram, em reunião com a intermediação do Ministério Público do Estado, o não desconto dos dias parados e a não punição dos grevistas.

A previsão é que já nesta quinta-feira, o atendimento esteja normalizado.

População é a mais prejudicada
Fernando Monteiro, autônomo, já sofre com dores nos rins há meses. Quando a crise chega, contudo, remédios não são suficientes e ele precisa de medicações intravenosas, mais eficientes e fortes. E era com isso que contava ao chegar ontem, às 10h, à unidade de saúde de atendimento de urgência e emergência do bairro do Bengui. Mas o espaço vazio e os portões fechados rapidamente transformaram a esperança em frustração, confirmada pela sugestão do segurança em procurar outro posto, porque não havia médico ali.

“Já vim de mototáxi pra cá porque minha casa não é tão perto e a dor é tão grande que não posso andar muito”, comentou desanimado. Fernando decidiu então tentar o outro posto do bairro, que atende em horário comercial, através de consultas. Lá foi informado que somente pacientes com horários marcados eram atendidos pelo único clínico geral de plantão.
A dificuldade de Fernando em ser assistido representou a situação de muitas pessoas na capital paraense, com a deflagração de greve dos médicos municipais a cidade.

Aos 87 anos, Manoel Gama sentiu na pele a falta dos funcionários. Com fortes dores abdominais causadas por uma sonda que utiliza há 20 dias, o aposentado, como de costume, procurou o PSM da 14 de Março para trocar a sonda, mas ouviu de uma funcionária da assistência social que não seria atendido por não ser um caso de emergência. Saiu do hospital com o material de que precisava (uma espécie de bolsa plástica) nas mãos com a orientação de procurar o Pronto-Socorro do Guamá.

No Guamá, o movimento de pacientes do lado de fora era tranquilo. Segundo um dos porteiros, a média de procura estava normal. Ainda assim, não faltaram reclamações. Acompanhando o pai de 75 anos, internado por ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral, Terezinha Putin estava indignada por ter que ver o pai sofrendo pelo corredor do prédio. Segundo ela, assim como o pai pelo menos outras 30 pessoas estariam na mesma situação. “Meu pai ficou das 2h da tarde às 9h da noite em uma cadeira de rodas. Depois conseguiram uma maca, mas continua no corredor esperando por um neurologista e por uma tomografia que nem aqui foi feita. Estou desesperada com essa situação. É um descaso com a vida das pessoas”, relatou Terezinha. Houve quem também reclamasse a falta de um médico traumatologista.

O lavrador Nezito Vaz, que veio do município de Abaetetuba, tentava em vão um atendimento para a filha de quatro anos que caiu e quebrou o braço. “Não tem médico, nem adiantou insistir. Tem que continuar procurando”, comentou o pai com a filha no colo.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) confirmou que durante um plantão de 12 horas ficou sem oferecer o serviço de traumatologia no Pronto-Socorro do Guamá. O médico que estaria de plantão adoeceu e informou a direção do hospital através de um atestado médico. A assessoria informou ainda que todos os casos foram encaminhados para o Pronto-Socorro da 14 de Março e que a paralisação da categoria não comprometeu o atendimento dos pacientes, já que não representa 10% do total de funcionários.

Ministério Público teve que intervir
Os promotores de Justiça Suely Cruz e Waldir Macieira reuniram já no início da tarde com representantes dos sindicatos da saúde e da Sesma.

A secretária da Sesma, Sylvia Christina de Oliveira Santos, informou que o adicional de turno voltará a ser pago em julho, o pagamento de auxílio alimentação será discutido com a chefia de gabinete e o novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) vai ser finalizado até setembro deste ano.

Dentro do mesmo prazo ocorrerá a análise do pedido de gratificação para a Unidade Básica de Urgência/Emergência. Sobre as condições de trabalho, a Sesma solicitou 45 dias para responder detalhadamente a todas as reivindicações por ser uma pauta muito extensa, mas já existem providências para sanar os problemas, inclusive com documentos protocolados junto ao Ministério da Saúde e Comissão Tripartite, aguardando liberação de verbas. Os servidores também foram informados de que não haverá desconto no salário relativo ao período de greve.

A Sesma informou ainda que outras reivindicações já foram atendidas, como adicional de turno e a reintegração do desconto HPS/HPSM (gratificação para os servidores do HPSM na aposentadoria).

Sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações - PCCR dos médicos, a Sesma informou que possui um prazo até o mês de setembro desde ano para apresentar o Plano à Justiça Federal.

(Diário do Pará)

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