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MST continua interdição até presença de ministro

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) continuará a interdição da BR-155 e outras mobilizações na região sudeste do Pará até que o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, ou o Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Refor

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) continuará a interdição da BR-155 e outras mobilizações na região sudeste do Pará até que o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, ou o Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda, compareçam ao local. O motivo das manifestações é o confronto entre integrantes do MST e seguranças da fazenda Cedro, em Marabá, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (21), deixando 12 pessoas feridas, de acordo com a Polícia Civil do Estado.

O MST ainda está bloqueando a estrada no km 290, e de 30 em 30 minutos libera a passagem de alguns veículos visando minimizar os impactos para apopulação.

As versões do MST e da empresa Agro Santa Bárbara, proprietária da fazenda, para o conflito são divergentes. A empresa acusa cerca de 300 trabalhadores de terem invadido, fortemente armados, as terras do grupo, utilizando violência e destruindo parte da propriedade. Já o MST garante que a mobilização estava sendo realizada fora da fazenda e que eles teriam sido recebidos a tiros.

Segundo Ulisses Manaças, coordenador do MST no Pará, a manifestação de hoje fazia parte de um calendário nacional dos movimentos sociais que decidiram protestar aproveitando a realização da Rio+20 e as atenções da mídia voltadas para as questões ambientais. A mobilização teria acontecido em frente a fazenda Cedro devido às denúncias previamente feitas pelo movimento, do uso de agrotóxicos nas lavouras, o que estaria atingindo os assentados em uma área contígua à fazenda.

O MST afirma que a manifestação não aconteceu dentro dos limites da fazenda, mas que os seguranças - denominados de "Escolta Armada" - os teriam recebido com tiros de dentro da fazenda. Entre os feridos, três pessoas ainda permanecem no hospital, sendo que o MST informou que uma delas seria uma menina de 3 anos que teria sido atingida por uma bala de raspão na cabeça.

O coordenador do movimento garante que o MST está em estado de "mobilização permanete", até que a polícia faça uma investigação para apurar a situação e punir os culpados. Porém, os trabalhadores garantem que as mobilizações só terão fim com a vinda do Ministro do Desenvolvimento Agrário ou o presidente do Incra, de forma a garantir que as investigações sejam levadas até o fim.

Em nota enviada à imprensa, a empresa não menciona o baleamento de invasores.

MST pede cumprimento de trato

Ulisses Manaças explica que essa não é a primeira vez que o MST entra em desacordo com a Agro Santa Bárbara. Segundo o dirigente desde 2007 terras do grupo são ocupadas pelos trabalhadores que teriam entrado em um acordo com a empresa. "Na época o movimento ocupava as fazendas Espírito Santo, Castanhais, Porto Rico e parte da fazenda Cedro. Nós acordamos com os proprietários da empresa, em um documento assinado com a chancela da superintendência do Incra, que as três fazendas seriam desocupadas e a fazenda Cedro seria cedida para assentamento de famílias, o que até hoje não aconteceu, revelando um descumprimento do trato e uma falta de cobrança também do Incra", explica Manaças.

O DOL tentou contato com a assessoria da superintendência do Incra em Belém, mas não obteve sucesso.

Governo e força policial

O governo do Estado deslocou cerca de 100 homens das polícias Militar e Civil para a Fazenda Cedro. Uma comitiva formada pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernandes Rocha; pelo secretário adjunto de Inteligência e Análise Criminal da Segup, Tom Farias; pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Daniel Borges Mendes; pelo major Alisson Monteiro, assessor especial da Segup, e pelo delegado Geral da Polícia Civil, Nilton Atayde, já está no local do conflito.

(Marina Chiari/ DOL)

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