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Índios marcham por um futuro melhor

Representantes de aproximadamente 600 povos indígenas de todas as partes do mundo marcharam do Jacarepaguá, onde está concentrada a Kari-oca, reunião de indígenas do Brasil e das Américas, até o Riocentro, centro das discussões da Rio + 20 para entregar u

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Representantes de aproximadamente 600 povos indígenas de todas as partes do mundo marcharam do Jacarepaguá, onde está concentrada a Kari-oca, reunião de indígenas do Brasil e das Américas, até o Riocentro, centro das discussões da Rio + 20 para entregar um documento com as reivindicações dos povos índios aos representantes do governo brasileiro e da Organização das Nações Unidas (ONU).
Denominado ‘Kari-oca II Declararion’, o documento é o resultado de oito dias de discussão envolvendo desenvolvimento sustentável e direitos dos povos indígenas, feita por líderes de tribos e comunidade em geral, que participaram de uma conferência mundial a respeito de territórios, ambiente e desenvolvimento dos povos índios. “A declaração traz a perspectiva e análise dos povos indígenas quanto ao futuro que queremos e as soluções para a atual crise econômica e ambiental”, disse Marcos Turuna, um dos líderes da marcha.
Na Kari-oca, estão concentrados cerca de 500 índios provenientes dos povos cayapó (Pará), xerente (Tocantins), pataxó (Bahia), kamayura (Xingu), guarani, bororo e karajá, entre outros, além de líderes indígenas de outros países da América do Sul, como Peru, Venezuela e Bolívia. Alertada sobre a caminhada indígena, a segurança da Rio + 20 foi reforçada com mais de 100 soldados do efetivo do Exército e da Polícia do Exército. “Mas foi tudo tranquilo, foi uma caminhada pacífica”, disse o comandante Márcio, chefe das operações.
Mesmo assim, apenas uma comissão dos índios teve acesso ao Riocentro. Uma barreira foi montada ainda na rodovia de acesso ao local dos eventos. Nos corredores dos pavilhões do Riocentro, a comissão indígena fez um pequeno ritual que chamou a atenção de jornalistas estrangeiros. “O espírito de nosso povo está aqui”, disse Terena.
O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, Gilberto Carvalho, foi até a comissão dos índios, assim como um representante da ONU. Terena desejava, além de entregar o documento, ter a possibilidade de falar na plenária por 3 minutos. “Queremos proteger nossas terras e preservar nossos direitos”, resumiu. O líder indígena também ressaltou que é necessário incluir a cultura como quarto pilar do desenvolvimento sustentável. Segundo Terena, o documento é uma reivindicação feita por líderes que querem ser tratados como líderes de nações. “Estamos reivindicando espaço nas políticas públicas. Estamos conquistando esse direito”.
Representando o povo xavante, o cacique Damião Paridzané também entregou um documento aos representantes do governo brasileiro, pedindo a ‘desintrusão’ da Terra Indígena Marãiwatsedé, que, segundo ele, se tornou a terra indígena mais desmatada da Amazônia brasileira por conta das constantes invasões feitas por fazendeiros. “Apesar de termos nosso território reconhecido, demarcado e homologado desde 1988, só ocupamos 5% da área porque os fazendeiros destroem nossa mata e despejam agrotóxicos nos rios que abastecem nossa aldeia. As crianças estão com diarreia, vômito e pneumonia. Enquanto estamos aqui no Rio de Janeiro, recebemos a notícia de que mais uma criança morreu na aldeia por desnutrição”, disse.
(Diário do Pará)

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