Em mais um domingo de junho o grito de ‘olha o boi’ tomou conta da Avenida Presidente Vargas, em Belém. Na data em que se comemora o dia de São João, os brincantes e integrantes do grupo Arraial do Pavulagem saíram às ruas no terceiro e penúltimo arrastão junino.
Com o tradicional chapéu e com os paços da dança do boi nos pés, a doméstica Almira dos Santos já pensava em fazer parte do grupo. Iniciada no arrastão no primeiro arraial que deu abertura à quadra junina, ela acompanhou todos os domingos de festa. “É muito bonito. Venho todos os domingos pra aproveitar”.
Quem também já acompanhava o arrastão pela terceira vez era a secretária Nilvana do Carmo. Para registrar cada colorido da grande quantidade de pessoas que ajudavam a arrastar os Bois Pavulagem, Malhadinho e Orube, ela aproveitou a rampa de acesso de um banco que fica na avenida. “É tudo maravilhoso. O Arrastão do Pavulagem tem algo de diferente. É muito bom ouvir esse som que vem dos instrumentos. O som é muito diferente daquela coisa mecânica que estamos acostumados a ouvir”, elogiava. “Esse é o penúltimo arrastão e já tá dando aquela saudade. Então vou registrar tudo principalmente porque hoje ainda é dia de São João”.
HOMENAGEM
Santo homenageado no último domingo, a figura de São João figurava em saias, bandeiras, na ornamentação dos bois e também nos estandartes. Responsável por carregar o estandarte do Boi Orube, do bairro do Satélite, a aposentada Luzia Helena era uma das mais animadas. “Tudo é perfeito no arrastão. O nosso projeto acontece no Satélite e é todo voltado para as crianças. Ensinamos elas a tocar, os movimentos da dança”, dizia ao apontar para o grupo de crianças e adolescentes que seguiam seus passos tocando instrumentos artesanais. “Aqui a mais velha sou eu, mas sou a mais animada também”.
Animação também foi o que não faltou ao pequeno Bernard, de apenas um ano e três meses. Em pé sobre o carro da avó, ele batia o pé e balançava as mãos no ritmo da batucada. “Ele vai no ritmo, vem todo final de semana”, dizia orgulhosa a professora e avó de Bernard, Célia Santos.
“Essa cultura popular é que é importante. Temos que valorizar isso, porque o Arraial do Pavulagem é do Pará, então, antes que levem isso da gente também, precisamos deixar a tradição para as nossas crianças”.
A programação de domingo da família da dona de casa Silmara Gomes já é o arrastão desde o primeiro dia. Com o filho Paulo Eduardo, de cinco anos, no colo, ela aproveitava a festa para estar junto com os familiares. “Vem toda a família mesmo. Gostamos muito da música, da dança, dos personagens que vêm... É uma programação muito boa”.
(Diário do Pará)
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