Segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pará, Ulisses Manacás, os trabalhadores se manterão mobilizados em frente à fazenda Cedro, em Eldorado dos Carajás, até que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) envie um representante nacional para dar andamento às negociações de desocupação. Hoje, os trabalhadores devem decidir as próximas ações do movimento para chamar atenção para o problema.
A mobilização é resultado de um confronto entre integrantes do movimento e vigilantes armados da Fazenda Cedro, da Agro Santa Bárbara, propriedade do grupo Opportunitty, de Daniel Dantas. O conflito aconteceu no dia 21 de junho, quando sem-terras faziam uma manifestação em frente à fazenda e teriam sido recebidos com tiros por seguranças armados, que deixaram 12 trabalhadores feridos. Desde então, o MST permanece mobilizado em frente à propriedade até que suas reivindicações sejam aceitas.
Os seis seguranças da fazenda foram detidos e prestaram depoimento. Com eles foram apreendidas seis armas de calibre 12, que serão periciadas. Os seguranças foram ouvidos e o inquérito instaurado.
Diálogo
No dia 22, o MST abandonou a reunião de negociação com o Sistema de Segurança Publica do Estado (Segup) e a Ouvidoria Agrária Nacional. No encontro seriam discutidos o conflito e reivindicações do movimento de desapropriação da Cedro para o assentamento de 1000 famílias.
Segundo Ulisses Manaças o abandono da reunião se deu pelo fato de os representantes do governo e da segurança pública não terem apresentado nenhuma solução para o conflito. "Nós estamos percebendo que a superintendência do Incra e o governo do Estado não estão conseguindo resolver o problema, então nós queremos a presença do presidente nacional do Incra ou do Ministro do Desenvolvimento Agrário, que têm poder para, junto ao estado, solucionar o problema”, defendeu o dirigente.
(DOL)
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