Apesar da faixa que indicava greve por tempo indeterminado, o clima no Hospital de Pronto-Socorro Municipal (HPSM) Mário Pinotti, localizado na travessa 14 de Março, estava tranquilo na manhã de ontem. No início do 5º dia de paralisação dos médicos servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), não foi difícil encontrar pessoas recebendo atendimento em algumas Unidades de Saúde do município.
Hoje, às 19h, haverá reunião no Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) com o comando de greve, composto por representantes de cinco unidades de saúde do município, para avaliar o movimento de greve.
Desde as 7h no HPSM da 14 de Março, a doméstica Elaine da Silva disse não ter enfrentado dificuldades para conseguir atendimento para a mãe, que passava mal. Segundo ela, a senhora foi atendida logo que chegou ao hospital. “Atenderam logo ela, mas também não tem muita gente lá (dentro do HPSM)”, disse. “Estão atendendo normal. Minha mulher foi atendida logo que chegou”, confirmou o agricultor Inácio Lima.
Já na Unidade de Saúde da Sacramenta, a dificuldade, segundo as pessoas que aguardavam por atendimento, estava em marcar consultas com algumas especialidades médicas. “Não tem médico! Vim ver se tinha ficha para consulta, mas não tem médico”, dizia revoltada a técnica de enfermagem Janira Castro, que foi ao local em busca de uma consulta para o filho. “Ela (funcionária) me disse que só estão funcionando as áreas que não dependem de médico e as coisas mais urgentes. As consultas, não estão marcando por causa da greve”.
Para o diretor do Sindicato dos Médicos do Pará, Wilson Machado, a aparente calmaria nas unidades de saúde e prontos-socorros da cidade é explicada justamente pela manutenção de atividades que não dependem diretamente da atuação médica. “Nas unidades de saúde também possuímos consultas de enfermagem, vacinação, atendimento de nutricionistas... Esses procedimentos não dependem dos médicos, por isso o movimento”, acredita.
Segundo ele, a adesão da categoria à greve é motivada pela busca de melhores condições de trabalho, pelo estabelecimento do Plano de Carreiras da categoria e pela busca de reajuste salarial. “Continuamos em greve e aguardamos uma conversa com a secretaria (Sesma). Estamos mantendo o índice de 30% para atender os pacientes que apresentem risco de morte”.
Segundo ele, as unidades de saúde que apresentam maior adesão da categoria são as da Pratinha, do Telégrafo e da Sacramenta. “O PSM do Guamá não teve grande adesão porque muitos médicos são terceirizados lá. Na unidade de saúde da Marambaia também não tivemos adesão”.
Na unidade de saúde da Pedreira, os efeitos da greve também não eram percebidos por quem procurava atendimento. “O atendimento está normal. Minha filha estava com febre, mas foi atendida normalmente pela pediatra”, garantiu a dona de casa Karina Lourenço. “O atendimento está normal. A demora pra marcar consulta é a que tem sempre”, disse a estudante Talita Pontes, ao sair da Unidade de Saúde da avenida Tavares Bastos.
De acordo com a assessoria de imprensa da Sesma, apenas três unidades haviam aderido parcialmente à greve: a unidade da Sacramenta, da Vila da Barca e do Maguari. Porém, segundo a assessoria, as paralisações não ofereceram prejuízos aos atendimentos.
ASSEMBLEIA
Diretores do Sindmepa reuniram-se na manhã de ontem, na sede da Secretaria Municipal de Administração (Semad), com representantes do município para discutir a greve dos médicos da Sesma. Foi apresentada uma versão do projeto de criação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), que deve ser enviado à Câmara Municipal de Belém (CMB) até o dia 30 de setembro pelo Executivo municipal.
A cópia do projeto entregue à diretoria do Sindmepa será analisada pela diretoria e, posteriormente, discutida com a categoria, já com um parecer técnico da assessoria jurídica do sindicato. Sobre o reajuste de 45% das gratificações, reivindicado pelos médicos da Sesma, a equipe da prefeitura de Belém disse não ser possível atender por se tratar de ano eleitoral, o que implica um impedimento legal ao atendimento da reivindicação.
Melhores condições de trabalho e equipamentos para as unidades de saúde estariam sendo providenciados pela Sesma, com o início do processo de licitação para algumas delas. (Diário do Pará)
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