De muitos usos e aplicações, estudos científicos em qualquer nível são capazes de incrementar coleções e deixar a memória do presente para quem no futuro não mais dispuser do recurso. Patente ficou no 20º Seminário do Programa Institucional de Iniciação Científica no Museu Paraense Emilio Goeldi, que se estende até a sexta-feira (29), o empenho de jovens pesquisadores em organizar, informatizar e divulgar coleções já seculares. A examinadora do grupo de trabalhos de Zoologia, a Dra. Lucile Antony, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), destacou, hoje (27), a importância dada, nos estudos apresentados, para o enriquecimento das coleções.
São precisamente as coleções que guardam conhecimento e exemplares de espécies até hoje conhecidas, as quais, porém, não se sabe até quando serão encontradas na natureza. Fonte de informação científica, o conjunto de coleções como as do Museu Goeldi – autêntico patrimônio do conhecimento humano - é procurado por estudiosos do país e também do exterior.
Dados, sempre superlativos em centenas ou milhares de itens diretamente coletados em campo que enriquecem as coleções ou preexistentes nessas mesmas coleções, aparecem no trabalho científico realizado por jovens pesquisadores do Pibic em uma tarefa que se assemelha ao esforço de um batalhão de formigas. Eles trabalham por partes e em prol de um todo - a Ciência.
Indicador ambiental - Borboletas e aves se prestam bem como exemplos para educar sobre o meio ambiente. Como parâmetro de qualidade ambiental, a diversidade de vida animal seja ela constituída de borboletas, abelhas ou aves, indica a saúde de uma dada área. Os pesquisadores em formação buscam informação a partir de observação em campo, mas também colhendo dados junto a populações locais como foi o caso da pesquisa sobre os guarás desenvolvida por Raphael Nunes na ilha de Itarana, na costa nordeste do Pará.
Sob a supervisão de Maria Luíza Videira Marceliano, Raphael observou os guarás em seus dormitórios, hoje já afetados pelo fenômeno da erosão devido à alteração do terreno. O aprendiz de cientista também tomou depoimentos de moradores como ferramenta para compreender as mudanças sofridas na área, devido tanto a fenômenos naturais como à ação humana.
Descrição de novas espécies de peixe é outra abordagem observada nas apresentações da Zoologia. Este ano, duas foram realizadas em trabalhos orientados pelo pesquisador Wolmar Wosiacki. São detalhes de medida de padrões de coloração, a exemplo de estudo sobre lagartos, que determinam reais possibilidades de identificação precisa, de mudança de status de subespécie para espécie e vice-versa, por exemplo.
Método e disciplina - Características que passariam despercebidas ao olho destreinado, para gente que estuda com afinco, cada detalhe é crucial para identificar uma espécie e, a partir daí, fazer inferências sobre onde ela ocorre – no que se conhece como variação geográfica; ou como se organiza, caso das aranhas e suas guildas – uma corporação, como se conhecia na Idade Média, que reúne indivíduos que se utilizam de um mesmo recurso para produzir algo.
As listas unificadas representam ainda outro tipo de trabalho desenvolvido por iniciantes no fazer da Ciência. Esse é o caso do estudo de autoria de Arthur Guimarães, orientado pelo pesquisador do Museu, Alexandre Bonaldo. Eles trabalham numa lista de aranhas com ocorrência na Região Metropolitana de Belém, em contribuição a um inventario planetário. Estudos assim representam ainda mais quando desenvolvidos na Amazônia, considerada região "ainda pouco conhecida do ponto de vista da taxonomia das aranhas orbiculares" (aquele que segue um manual de instruções pré-programado em seu cérebro).
Tantas informações, para além do que representam para uma região como a Amazônia, servem para fins de comparação, objetivo amplamente explorado em pesquisas realizadas em rede. Estudar as abelhas de orquídeas na Grande Belém, por exemplo, permite comparar dados sobre elas em outras áreas de floresta úmida. O bolsista Evandro Cunha e seu orientador o pesquisador do Museu Goeldi, Orlando Silveira dão essa contribuição.
Semelhante ao observado em estudos de botânica apresentados na primeira parte da vigésima versão do Seminário de Iniciação Cientifica do Museu Goeldi, um trabalho dedicado à entomologia de autoria de Fernanda Dayane Ferreira sob a orientação de Cléverson Santos, organiza, informatiza, cataloga e divulga o acervo de Alticini, grupo de besouro. Com a prolífica coleção de entomologia do Museu, a autora e outros pesquisadores vão elaborar um catálogo restrito ao grupo Alticini
Diversidade – Tão diversa quanto a natureza, são os estudos oriundos do engenho científico. Habitos alimentares de peixes como o bacu pedra no Baixo Tocantins ou vespas com função de controle biológico e potencial no controle de pragas agrícolas, uma infinidade de temas pode ser estudada por jovens de caráter inquisitivo, pendor ao estudo e ciosos de detalhes. Disso e de um conjunto de características específicas da Ciência revelada em orientadores prontos a treinar um exército de estudiosos, é feita a iniciação científica.
Confira a programação completa no site do Museu Emílio Goeldi.
(com informações do MPEG)
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