A faixa na entrada do prédio anuncia. Inauguração em breve. Após vários anos de projeto, a Prefeitura de Belém pretende abrir as portas do Shopping João Alfredo, um espaço idealizado para abrigar parte dos ambulantes do centro comercial de Belém. A abertura oficial está programada para a próxima terça-feira, mas boa parcela dos vendedores está insatisfeita com as condições do espaço e promete não se submeter à mudança no tempo estipulado pelo município.
O sorteio dos boxes entre os ambulantes que ocorreria na manhã de ontem na sede da Associação dos Ambulantes do Centro Comercial acabou em confusão e precisou ser interrompido pela Secretaria Municipal de Economia (Secon). À tarde, na visita dos vendedores ao espaço, que ainda está em fase de acabamento, categoria e representantes da prefeitura voltaram a se desentender.
“A nossa expectativa é que esta visita acontecesse para que os ambulantes conhecessem os boxes em que cada um irá trabalhar, mas infelizmente isso não foi possível. Não houve condições de segurança para finalizar o sorteio pela manhã. O espaço está pronto. Faltam pequenos ajustes, como fechaduras em alguns boxes e cobertura na frente do prédio, mas até amanhã [hoje] estarão resolvidos”, garantiu Manoel Ramos, diretor do Departamento de Vias Públicas da Secon.
O novo espaço vai funcionar em um prédio localizado na rua João Alfredo com entrada também pela Campos Sales. O shopping contará com sistema de ar condicionado, banheiros, escadas e elevador apenas para portadores de necessidades especiais. Dos 260 ambulantes que hoje ocupam a João Alfredo, 142 deverão se mudar para o novo local, os demais serão remanejados para vias transversais. “A João Alfredo, da Frutuoso Guimarães à Portugal, será totalmente desocupada. Para o shopping virão os 142 ambulantes que já estavam cadastrados, os demais que ocuparam o espaço mais recentemente devem ser alocados nas transversais até que dê uma saída definitiva”, afirmou o representante da Secon.
RECLAMAÇÕES
Entre os trabalhadores, as queixas oscilam desde a forma de distribuição dos espaços, que pretende manter no primeiro andar os vendedores mais antigos, até as condições de estrutura do espaço. Vendedor de confecções há 25 anos, Charles Pimentel, era um dos mais exaltados com a proposta da Prefeitura. “Nós trabalhadores não estamos nos recusando a ocupar o espaço, só queremos que as coisas sejam feitas como foram prometidas. No segundo andar tem espaço para circulação, mas na entrada do primeiro, não”, afirmou. “Os boxes aqui de cima são fechados no teto, e os de baixo são abertos. Quem garante que não vão levar as nossas mercadorias? Eles estão impondo as coisas sem cumprir com o que foi prometido. A categoria não concorda com isso. Nessas condições não dá pra vir”, desabafou o ambulante que também reclamou do acesso na entrada e da fachada do prédio. “O prédio tá caindo. Eles arrumaram os dois andares, mas o resto pra cima está horrível. Não tem um chamativo na parte de fora do prédio. Os fregueses não vão querer entrar assim”, prevê Charles.
(Diário do Pará)
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