Lama, lixo, mato, buracos, esgoto a céu aberto e moradores indignados. Essa é a situação do conjunto Cordolina Fontelles, no bairro de Águas Negras, distrito de Icoaraci, em Belém. Revoltados pela falta de saneamento no residencial, moradores protestaram ontem pela manhã e causaram um engarrafamento quilométrico na rodovia Augusto Montenegro. Às 8h30, duas faixas da avenida foram interditadas em frente à entrada da 5ª linha do Tenoné. “A situação das ruas contribui muito para aumentar a criminalidade. Nós estamos entregues às baratas”, desabafa Antônio Brito, 46, morador.
O Cordolina Fontelles é uma área de ocupação há mais de 10 anos e ainda não recebeu a atenção adequada da prefeitura. “O prefeito faz BRT, orla bonita e deixa a gente que mora na periferia abandonado. Nós também somos eleitores. Na época de eleição, é só promessa, resolver a vida da gente ninguém resolve”, fala Josy Oliveira, 32, que mora há sete anos no Cordelina.
Com paus, pedras, pneus e até bicicletas, os moradores do residencial foram para o meio da pista com cartazes de protesto e gritos de “queremos asfalto!”. Cerca de meia hora depois, a pista no sentido Icoaraci – Belém foi liberada e, por volta das 9h30, a via no sentido Belém – Icoaraci também foi parcialmente desobstruída. No entanto, o fluxo de carros que desviavam pela contramão e a grande fila de veículos deixaram o trânsito muito lento, controlado por policiais militares.
Presa em um ônibus e impedida de chegar ao trabalho, a funcionária pública Rosangela Silva, 53, desabafou: “Depois que invadem, eles querem ir atrás de saneamento básico. Isso é um absurdo!”, protesta. Já a estudante Andresa Lobato, 18, apesar de ter perdido o compromisso, se mostrou mais paciente. “Essa é a única forma de eles serem ouvidos. Se eles não protestarem, não vão resolver nada”, opina.
Os moradores denunciam que, por conta da precariedade das ruas, pedestres e veículos como os caminhões de lixo têm dificuldade de trafegar pelo Cordolina Fontelles, já apelidado de “Cordolama”. “Nós já tivemos reunião com o prefeito e não tivemos posição nenhuma. As crianças precisam dar a volta por outra rua para chegar à escola. Elas chegam todas sujas lá. A gente quer chamar a atenção das autoridades para ver se nós resolvemos alguma coisa”, fala Paulo Júnior, 32, morador. De acordo com documentos apresentados por Josy Oliveira, um orçamento de junho de 2004, com o selo da Sesan (Secretaria Municipal de Saneamento), prevê obras de pavimentação e drenagem para o conjunto. Mas nada foi feito. A assessoria de imprensa da Sesan disse que a ação está no cronograma do órgão e deve ser executada até o final do ano. (Diário do Pará)
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