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Protesto fecha lojas na João Alfredo

Lojistas impedidos de abrir os estabelecimentos, “apitaço”, cartazes de protesto, trânsito interrompido e um shopping sem nenhum cliente. O que deveria ser a inauguração do Shopping Popular João Alfredo se transformou em uma grande manifestação. O remane

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Lojistas impedidos de abrir os estabelecimentos, “apitaço”, cartazes de protesto, trânsito interrompido e um shopping sem nenhum cliente. O que deveria ser a inauguração do Shopping Popular João Alfredo se transformou em uma grande manifestação.

O remanejamento de vendedores ambulantes da rua João Alfredo, na manhã de ontem, para o edifício, que fica entre a Padre Eutíquio e Campos Sales, foi frustrada pela recusa de grande parte dos vendedores de ocuparem o estabelecimento.

Eles alegaram que o edifício estava em péssimas condições. Enquanto os dois primeiros andares, onde irá funcionar o shopping, estão reformados, redecorados e prontos para receber os comerciantes, a situação a partir do terceiro andar é bem diferente. Fachada caindo aos pedaços, lixo, infiltrações, rachaduras, fiações expostas, buracos no piso e teto comprometido são apenas alguns dos problemas encontrados no prédio de sete andares, que está parcialmente inutilizado.

“Nós queremos deixar claro que nós não estamos nos recusando a ocupar o prédio. O que nós queremos é que a Secon (Secretaria Municipal de Economia) nos apresente o laudo do Corpo de Bombeiros garantido que todo o prédio pode funcionar, não apenas os dois primeiros andares”, diz Charles Pimentel, 40 anos, que trabalha como ambulante na João Alfredo há 25 anos. Uma boate que funcionava em um dos andares da parte superior do edifício, segundo testemunhas, foi interditada pelos bombeiros.

REMANEJAMENTO

Um total de 142 ambulantes, dos 260 cadastrados na Secon, deveriam passar a trabalhar no novo shopping popular. Outros 118 deveriam desocupar a rua e passar a trabalhar provisoriamente em vias paralelas, como a Padre Eutíquio, Sete de Setembro e avenida Portugal. Em dezembro, eles seriam deslocados para o Espaço da Palmeira, quando o local for concluído.

“De que adianta remanejarem a gente pro shopping e deixarem os pirateiros e outros camelôs na rua? Se vão fazer um projeto assim, por que não escolheram um prédio onde coubesse todo mundo e nós tivéssemos mais segurança? Isso é tudo maquiagem, não passa de uma obra eleitoreira”, protesta Odivaldo Lopes, 54 anos, ambulante há 18.

Cerca de 60 ambulantes participaram do protesto, que começou pela manhã e percorreu a rua João Alfredo de cima a baixo diversas vezes. Os ambulantes não deixaram que os comerciantes da rua abrissem as lojas. Homens da Polícia Militar e da Guarda Municipal acompanhavam a movimentação.

Segundo determinação da Secon, até o caso correr no Ministério Público, os ambulantes não podem mais ocupar a João Alfredo. Os ambulantes prometeram continuar o protesto hoje e impedir que o comércio na rua funcione.

Mourwan Said, que diz que já foi ambulante e agora é lojista, lamentou os prejuízos. “Todo mundo tem o direito de protestar, eles têm as razões deles. Mas o direito deles acaba quando começa o do próximo. Ninguém vai resolver nada no grito, tem governo, regras e leis para isso”, opina.

(Diário do Pará)

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