O clima continua tenso no município de Jacareacanga, sudoeste do Pará. Os índios Munduruku decidiram não assinar um acordo para encerrar as manifestações que vêm ocorrendo desde a semana passada. Eles reuniram na manhã desta quinta-feira (5) com representantes da Superintendência Regional da Polícia Civil no Tapajós e da Fundação Nacional do Índio (Funai), mas as negociações não obtiveram sucesso.
Os indígenas estão impedindo que o Superintende Regional do Tapajós, delegado Edinaldo Silva de Souza, o coordenador regional da Funai, Deuzivaldo Saw Munduruku, e o procurador federal para assuntos indígenas, Sóstenes Camilo Magalhães Costa, saiam de Jacareacanga. Por telefone, o delegado Edinaldo informou ao sub-comandante Walci Queiroz, que “mesmo impedidos de sair da cidade, estão sendo bem tratados”.
A decisão de não suspender as manifestações foi tomada pelos Muduruku durante reunião isolada das lideranças indígenas, que aconteceu na Câmara Municipal de Jacareacanga.
De acordo com o delegado Edinaldo, os indígenas exigem que a polícia leve os dois acusados de terem cometido o crime de latrocínio (roubo seguido de morte) contra um índio Munduruku, para que façam justiça com base na cultura indigenista. Entre as reivindicações estão também a presença do governador do Estado e do juiz da comarca de Itaituba.
O comandante Walci Queiroz afirmou, no entanto, que no momento nenhuma destas reivindicações podem ser atendidas, e que dialogam para no decorrer das negociações com as lideranças Munduruku, outras reivindicações sejam pedidas e se chegue a um consenso.
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) encaminhou hoje para Itaituba, cidade vizinha à Jacareacanga, um efetivo de policiais militares para reforçar o trabalho dos órgãos de segurança que buscam uma solução para conter as manifestações.
Em Itaituba, o Sub-Comandante Geral da Polícia Militar, Walci Queiroz, aguarda outros reforços. Devem chegar policiais militares vinculados ao Comando de Missões Especiais (CME), além de policiais do Grupo Tático de Operação (GTO) de Santarém, para unirem-se ao efetivo que já atua no município. Juntos, eles formam um total de 70 homens.
De acordo com a Segup, o Estado quer evitar qualquer tipo de intervenção militar, por isso, o reforço policial só irá para a área de conflito em uma situação extrema, pois eles estão preparados para conter as manifestações caso existam depredações ou violência física contra a população do município.
DESTRUIÇÃO
Segundo relatório enviado ao Comando de Policiamento Regional, os indígenas começaram os ataques ao patrimônio público de Jacareacanga por voltas de 00h30 da última terça-feira (03). Eles teriam atacado os militares que trabalhavam no local com pedras, paus, arcos e flechas e bordunas. E em seguida atearam fogo nas instalações.
O assassinato de um Munduruku provocou a revolta dos indígenas, que iniciaram as manifestações radicais, e já deixaram um policial militar ferido. (DOL, com informações da Agência Pará)
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