Evitar alimentos e sanduíches preparados com molhos à base de maionese, leite e requeijão, e não consumir sushi na praia, estão entre as principais recomendações que a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) faz aos veranistas, para que não sofram as consequências de uma intoxicação alimentar, que pode causar diarreia e levar à morte. As altas temperaturas registradas nesse período do ano, associada às chuvas que caem repentinamente, ajudam a deteriorar mais rápido os alimentos.
Os cuidados com a alimentação nem sempre são bem assimilados pela maioria da população, que prefere comprar alimentos prontos na praia. “Qualquer alimento pronto não deve permanecer em temperatura ambiente por mais de duas horas”, informou a nutricionista e coordenadora da Divisão de Nutrição da Sespa, Rahilda Tuma, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA). Segundo ela, os cuidados devem ser redobrados nesta época com as carnes, mariscos, leite e ovos, pois são itens que estragam rapidamente no calor.
Segundo Rahilda Tuma, a má conversação é associada ao aparecimento da bactéria Salmonella, transmitida por alimentos crus, mal cozidos ou preparados fora dos padrões de higiene. A situação se agrava com o uso de maionese, catchup e patês. Um dos alimentos que mais causam problemas intestinais é o "sanduíche americano".
“A contaminação pode causar infecção ou intoxicação alimentar, com náuseas, vômitos, febre, cólicas e diarreia, e até mesmo uma piora de todo esse quadro, que demanda internação hospitalar”, disse a nutricionista, que também chamou a atenção para a mistura denominada marzipã, utilizada na cobertura de bolos, e que pode conter Salmonella por ser preparada com claras. "Esse tipo de glacê abafa muito o conteúdo do bolo. E as pessoas ainda pioram a situação umedecendo a massa com bebidas", ressaltou Rahilda Tuma.
Outra nutricionista da equipe, Adriana Simões, alertou para os sanduíches naturais vendidos nas praias. “Esses sanduíches têm no recheio maionese, creme de leite, embutidos, traços de vegetais e muito sal. Fora o pão, que pode estar com a validade vencida”, disse Adriana Simões, ressaltando que o veranista pode fazer seu sanduíche, com ingredientes saudáveis, e acondicionar em embalagens térmicas.
Sushi e caranguejo - Quanto aos sushis vendidos nas praias, a nutricionista recomendou à população que evite a ingestão desses alimentos, feitos geralmente com produtos crus, como peixes e camarões, que estragam em pouco tempo. Se nos restaurantes a venda de sushis prevê a adoção de medidas de controle pelas equipes municipais de Vigilância Sanitária, a comercialização ao ar livre, e até a entrega em domicílio, colocam em risco a saúde dos veranistas. “O mesmo se aplica a outros itens das culinárias japonesa e chinesa, em geral mais apropriados para consumo em temperaturas amenas”, completou Adriana Simões.
Segundo Rahilda Tuma, as pessoas também devem evitar comer alimentos feitos com carne de caranguejo, com exceção do "toc-toc", já que a venda de bolinhos e sopas não é recomendada devido às condições de higiene na retirada da carne. “Grande parte dos catadores usa a boca para retirar a carne do caranguejo, o que contamina o produto”, acrescentou.
"As pessoas têm que ficar atentas ainda para aquele odor de azedo. Isso é sinal de comida muito estragada. Quando chega ao ponto de exalar, é porque já está há dias inapropriada para o consumo”, afirmou.
Rahilda ressaltou que os melhores restaurantes e churrascarias são os que mantêm a cozinha visível para os clientes, que dessa forma podem ver se a comida está sendo preparada com higiene e se os empregados estão uniformizados e usando luvas e toucas. “Se a cozinha estiver escondida, o serviço não é bom”, disse ela. Ainda segundo a nutricionista, quando os frequentadores sentem um incômodo nos olhos, uma ardência, pode por causada por álcool fora da validade, utilizado nas panelas do tipo rechaud.
Orientação - Para uma alimentação saudável no verão, as orientações da nutricionista são: tomar muita água, não dispensar a água de coco em sua forma natural e os sucos sem leite. “As pessoas podem levar de casa frutas e vegetais crus. O importante é evitar que os alimentos fiquem abafados ou demorem muito a ser consumidos”, disse Rahilda Tuma.
Quanto aos sorvetes, a nutricionista disse que devem ser consumidas as marcas já conhecidas. “O ideal na praia é comprar só a bebida gelada. Existem salgadinhos que não são fritos e não têm gordura trans, frutas desidratadas vendidas em pacotes, biscoitos integrais e barra de cereais", ressaltou.
A coordenadora da Divisão de Nutrição explicou ainda que, no caso de problemas causados pela ingestão de alimentos contaminados, a população deve recorrer à fiscalização das equipes de Vigilância Sanitária dos municípios. Os profissionais fazem a inspeção, avaliando a origem dos alimentos, a higiene dos estabelecimentos e dos manipuladores, acondicionamento e equipamentos para conservação.
(Ag. Pará)
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