O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes Rocha, partiu para Jacareacanga, na manhã desta sexta-feira (6), para participar das negociações com os indígenas e, possivelmente, apresentar providências. De acordo com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) do município de Itaituba, as principais reivindicações das lideranças indígenas das etnias Munduruku, Apiaká e Kaiubi são a instalação de um posto policial na região, com o objetivo de conter o tráfico de drogas e a criminalidade, e a elucidação do assassinato de Leo Munduruku. Somados a este, já teriam pelo menos outros 15 casos envolvendo indígenas. A previsão de chegada do Secretário é para o início da tarde.
Na tarde de ontem (5), uma pauta de reivindicações foi encaminhada para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília (DF).
A negociação com os índios sofreu um retrocesso nos últimos dias. Três negociadores, um deles o superintendente Regional da Polícia Civil de Itaituba, delegado Edinaldo Silva de Souza, e dois servidores da Fundação Nacional do Indio (Funai), o procurador Sostenes Camilo Magalhães Costa e o coordenador regional Deuzivaldo Saw Munduruku, foram mantidos reféns, ontem, e impedidos de sair do hotel onde se reuniram para tratar o problema.
O cacique Valdeni Munduruku, à frente de um grupo de índios, afirmou que nenhum agente do Estado ia deixar o hotel. “Nós queremos a presença do governador do Estado e do juiz que cuida do assassinato do Lelo Akay. Os senhores só deixarão a cidade quando o nosso pedido for atendido”, afirmou o cacique. Ele garantiu que os negociadores não seriam hostilizados nem agredidos fisicamente. Devido a dificuldade de comunicação via telefone celular, ainda não há informações confirmadas sobre a situação em que permanecem os negociadores e se eles continuam sendo mantidos reféns.
Segundo o cacique, o tráfico e o consumo de drogas na região preocupam as lideranças indígenas, pois as substâncias entorpecentes estão chegando cada vez mais próximo de crianças e adolescentes, em mais 100 aldeias localizadas às margens dos rios Cururu, Tropa e Kabitutu.
A Segup instalou um gabinete de crise no município de Itaituba. O subcomandante geral da Polícia Militar, coronel Walcir Queiroz, está à frente do comitê na tentativa de, junto com representantes do Estado, Município e União, encontrar uma solução para o impasse com os índios.
O prefeito do município de Itaituba, Raulien Oliveira de Queiroz, também integrante do comitê, disse que tentou negociar com as lideranças indígenas, mas não obteve êxito. Segundo ele, os indígenas querem conversar com um representante do Estado ou do governo federal.
As negociações prosseguem com as lideranças durante esta sexta-feira. (DOL, com informações do Diário do Pará e Agência Pará)
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