Se nas ruas o clima ainda é ameno, sem muitas divulgações, nos bastidores a campanha eleitoral já movimenta a economia local. Com a liberação de parte da propaganda política pela Justiça Eleitoral desde ontem, a expectativa é de lucro para o setor de serviços, especialmente os que trabalham com publicidade de materiais, como as gráficas.
Segundo Paulo Bohadana, proprietário da gráfica KSK, a expectativa é de que o volume de trabalho aumente em 50% nos meses de agosto e setembro. “Temos capacidade para gerar até 30 toneladas de papel por mês, rodando 24h por dia. Para dar conta de todas as demandas contamos também com uma equipe de arte, que produz aqui mesmo o material desejado pelo cliente”, explica. A impressão de panfletos, conhecidos como santinhos, continua como a maior demanda, com média de impressão de 500 mil a 1,5 milhão de unidades, por candidato. Com o conhecimento e experiência das exigências eleitorais e da variação de preços no período, ele se planejou com antecedência, a fim de evitar surpresas no mercado. “Somente na última semana o preço do papel aumentou 10%. Sorte que já tínhamos estocado um volume grande nos prevenindo de reajustes no período em que cresce a procura”, disse Paulo. A procura maior significa também mais lucratividade aos funcionários, em razão do pagamento de horas extras e até contratações temporárias. Atualmente Paulo conta com 26 funcionários, mas se prepara para expandir esse número.
Da mesma forma que espera Renato Martinez, da gráfica Martprint. “Investimos na aquisição de novos equipamentos, já contratamos mais funcionários e aumentamos nosso estoque de tintas, papéis e materiais necessários. Tudo pensando também nas eleições”, diz.
Há dois anos no mercado ele não aproveitou completamente o último pleito eleitoral, mas agora prevê um incremento de pelo menos 60% da marca. “Muitos candidatos do interior nos procuram porque ainda conseguimos um preço melhor. No momento temos recebido muitos pedidos de orçamentos de santinhos, adesivos, incluindo os para carros, e bandeiras. Mas o ritmo só vai aumentar em agosto, com o fim das férias”, cita.
E mesmo quem não trabalha no setor gráfico pode faturar com as contrações temporárias de publicidade, seja como web designer, “tuiteiro”, operador de telemarketing, motorista, olheiro, supervisor de equipes, lideranças comunitárias e até cabo eleitoral; como é o caso de Cleiciane Pinto, que trabalha como auxiliar de divulgação, sem vínculo empregatício, para uma agência de publicidade local. “Os próximos meses vão ser ótimos, porque quem já é cadastrado nas agências recebe mais contratos. De domingo a domingo tem material para distribuir, basta ter simpatia e fôlego para aguentar. Porque essa renda extra só vem de dois em dois anos e compensa bastante”, afirma. (Diária do Pará)
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