A morte do empresário Rodrigo Bastos, executado durante uma “saidinha bancária”, há menos de 15 dias, reacende uma polêmica e potencializa o medo que se arrasta na capital do Estado, há vários anos, e nem a fatalidade consegue levar a um caminho de segurança e tranquilidade para quem é obrigado a frequentar uma casa bancária. Na “saidinha”, enquanto um bandido dentro do banco observa quem esta sacando valores elevados, o resto do bando, do lado de fora, através de telefone celular ou mesmo sinais, recebe informações detalhadas da futura vítima.
Segundo revistas especializadas, os bancos representam os setores mais lucrativos da economia nacional, acostumados à garantia dos lucros, através dos altos juros e das exorbitantes cobranças de taxas, no entanto omissos em aperfeiçoar um plano estratégico, que garantam aos bancários e clientes, as mínimas condições de segurança.
Não é a toa que os banqueiros colocam seus departamentos jurídicos em ação para derrubar qualquer legislação, tanto estadual como municipal, que tentam sair em defesa dos clientes no quesito segurança e para se ter uma ideia basta atentar para a defesa da extinção de portas giratórias por parte da Febraban e Fenaban que representam os bancos no Brasil.
E a situação de insegurança não é só nas grandes cidades do Pará. As pequenas cidades vêm sendo alvo das quadrilhas, que após verificar o diminuto contingente policial nas cidades e seus desatualizados aparatos bélicos, impõem a clientes e bancários ações que carregam o cotidiano de violência e terror.
No Estado de Pernambuco gerentes ou gestores, que respondem pela segurança de agências bancárias tem responsabilidade criminal por eventuais ferimentos ou mortes ocorridos durante assaltos em saidinhas bancárias ou qualquer ato de violência.
Com a resolução em vigor, os gerentes de bancos ou gestores poderão ser indiciados em inquéritos policiais na qualidade de co-autores dos atos de violência, quando detectado que a ocorrência se deveu à falta de segurança nas agências bancárias.
Sindicato entra na Justiça
A decisão considerada inédita no Brasil foi recomendada pelo Ministério Público de Pernambuco, depois de esgotadas negociações com os bancos, que se recusaram a cumprir a legislação municipal acerca da segurança nas agências bancárias tanto na capital como na região metropolitana.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários do Pará, a situação no Estado é critica e desesperadora. Em que pese todas as tentativas de negociação com os bancos, a entidade foi obrigada a entrar na Justiça, através do Ministério Público, para fazer valer o que dia lei 1050/97 que trata em seus capítulos da segurança bancária.
Gilmar Santos, diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá informa um dado preocupante. “As agências novas do Bradesco abertas este ano na Região Metropolitana de Belém, contrariam a lei que é manter portas giratórias com detector de metal e biombos nos caixa“ afirma o diretor. Em Belém duas leis foram aprovadas. Uma delas em nível municipal, que obriga os bancos a colocação de biombos nos caixas e porta giratórias além de outros equipamentos de segurança com intuito de preservar a vida tanto de clientes como dos funcionários em caso de assaltos e saidinhas bancárias.
Polícia diz que caiu o número de casos
O DIÁRIO esteve em duas delas: na rodovia Augusto Montenegro com a avenida Independência, e em Marituba e a reclamação dos usuários foi unânime. “Estes bancos ficam em áreas de riscos e não tem segurança nenhuma pra nós” reclama o empresário Odinei Vilhena.
O Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá, diante da situação critica que vivem seus associados com relação aos crimes na modalidade “vapor”, no qual as quadrilhas chegam atacando as cidades do interior e no estilo “sapatinho” (onde os assaltantes sequestram familiares de bancários), resolveu oficiar as prefeituras do interior do Estado fornecendo a minuta da lei que tenta proteger e evitar novas vítimas de assaltantes em bancos.
“As prefeituras terão que tornar obrigatório a instalação de portas giratórias com detector de metal, biombos na frente dos caixas, blindagem nas portas e paredes dos bancos e que a guarda da chave dos cofres fiquem a empresa de valores retirando a responsabilidade de gerentes e tesoureiros” critica o diretor Gilmar Santos.
REDUÇÃO DE CASOS
“A Secretaria de Segurança Pública vem fazendo a sua parte”. Esta é a afirmação do Secretário Adjunto de Inteligência Criminal Antônio Farias ao destacar que os números comprovam a eficiência dos biombos nos caixas de bancos, mas ainda há muito que se fazer.
Em números reais o primeiro quinquimestre deste ano teve uma redução de -10,34% na Região Metropolitana de Belém e -43,01% no interior do Estado com relação à saidinha bancária. Foram 151 registros em 2011 contra 105 em 2012 o que aponta uma redução total de -30,46% de assaltos na modalidade saidinha bancária.
Para o Secretário Adjunto de Inteligência Criminal a polícia tem um mapa dos dias mais frequentes para este tipo de assalto, bem como o horário considerado fatal para atuação das quadrilhas. Pelos levantamentos do Sistema Integrado de Segurança Pública, o horário preferido dos assaltantes é entre as 10h às 14h e nos dias de segunda, terça e sábado.
Para a polícia, o cidadão que tiver que sacar alguma quantia deve ser discreto, acompanhar a conferência do dinheiro com o caixa enquanto ainda esta com ele e guardar de forma discreta em bolsa ou carteira.
Outro melhor jeito de evitar a saidinha bancária é evitar o saque de quantias significativas. O Sistema de Pagamentos Brasileiros é um dos mais eficientes do mundo. Ao invés de sacar em dinheiro o correntista pode pagar com cheque ou efetuar uma Transferência Eletrônica Disponível (TED) ou o conhecido Documento de Crédito (DOC).
BIOMBOS
O Banpará, desde 2010, trabalha com o sistema de biombos nos caixas e lá a saidinha bancária reduziu a zero. O coronel Costa Júnior hoje Chefe do Estado Maior da Polícia Militar quando comandante do CPC acompanhou todos os passos da instalação no Banpará que hoje prova a sua importância para clientes e bancários.
(Diário do Pará)
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