Água limpa tem se tornado uma expressão cada vez mais duvidosa para muitas pessoas. Considerada antes sinônimo de higiene, a água da torneira se tornou símbolo de contaminação, mesmo aquecida a 100ºC. Poços são olhados com desconfiança, principalmente quando resíduos passam a vir junto com o líquido alçado. Para matar a sede então, só água mineral. Se houver crianças em casa a água engarrafada é usada até para preparar alimentos.
A questão é que a água engarrafada, seja comprada nos sinais de trânsito, no supermercado ou adquirida num restaurante, não possui as características consideradas ideais para manter o bem-estar do organismo humano. Segundo estudos realizados pelo Laboratório de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Larhima) da Universidade Federal do Pará (UFPa), o problema com a água comercializada na região metropolitana de Belém ultrapassa a simples questão da rotulagem.
“A água no Pará é a mais ácida do país, com baixa qualidade. Ela jamais pode ser considerada mineral. O correto é chamá-la de potável de mesa”, afirma André Eluan, nutroendocrinologista. Os rótulos das embalagens normalmente informam um Potencial Hidrogeniônico (pH) igual a cinco, ácido, sendo que ideal para o consumo humano deve ser alcalino, acima de sete.
Segundo o geólogo e pesquisador Milton Matta, o alto nível de acidez pode ser a causa dos crescentes casos de problemas gástricos na população que acarreta doenças como gastrite, úlcera e até casos de câncer de estômago. “Isto é apenas uma suposição. Não há estudos comprovados, mas o fato é que água ácida não é boa para o consumo. Imagine uma pessoa tomando-a por anos de sua vida”, opina.
Nestas condições, a água também influencia no envelhecimento precoce das células, uma vez que interfere na hidratação do corpo e aumenta a produção de radicais livres, as moléculas causadora de processos degenerativos.
CALOR
Em Belém, com a chegada das férias e o aumento da temperatura o produto tem sido cada vez mais requisitado. De acordo com previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) o mês de junho será o mais quente dos últimos dois anos em Belém. Com menos chuvas as temperaturas devem chegar a 34°C, e quando isto acontecer a sensação térmica poderá ultrapassar os 36°C.
Assim como o tênis, um boné e a roupa de ginástica, a garrafinha com água mineral é item indispensável para a técnica em gestão ambiental Luciana Matos. Caminhando na avenida João Paulo II, em Belém, ela driblava o sol de 10h tomando bastante líquido. “Geralmente faço exercícios mais cedo e quando venho já no meio da manhã sinto a diferença porque o calor é forte. A água acaba até mais rápido”, garante.
E mesmo com os gastos de comprar o produto todos os dias ela não consegue se imaginar muitas horas sem a tradicional garrafinha por perto. “Até o gosto é diferente. Parece mais refrescante. Acho que dentre as opções é uma das mais saudáveis e acessíveis”, diz.
O mesmo pensa Danila Souza, 26 anos. Todos os dias ela frequenta a academia ao ar livre da avenida 25 de setembro para manter a boa forma, bom humor e saúde. Atuando em diferentes funções num mercado popular, ela garante que durante o trabalho também ingere bastante líquido, para amenizar tanto o calor quanto o cansaço.
Mas apesar dos dados alarmantes, a água ainda é uma fonte importante de saúde e bem-estar, se for ingerida com as propriedades adequadas, lembra André. “A solução seria então comprar águas minerais, com PH acima de 7, muito mais caras que as marcas usuais, ou adquirir um filtro especial, capaz de retirar o cloro, eliminar bactérias e acrescentar iodo e minerais”, cita. Farmácias de manipulação vendem o produto, pelo preço de 700 reais em média.
Além disso, atitudes simples como verificar as condições de armazenamento do produto também auxiliam no processo. “A água comercializada em garrafas de vidro é mais saudável, pois o plástico quando esquenta libera substâncias tóxicas”, complementa o nutroendocrinologista. Por fim, o consumidor não pode esquecer de verificar a data de validade do líquido. Segundo normas nacionais a água sem gás tem limite de um ano. Já a água com gás, de três meses, no máximo.
(Diário do Pará)
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