plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 24°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Belenenses têm medo de andar nas ruas

Quem mora em Belém e nunca foi roubado ou assaltado conhece, pelo menos, uma pessoa que já foi. O senso comum ajuda a entender porque a capital paraense ficou em primeiro lugar em um ranking de 11 cidades nas quais a população se sente mais insegura ao sa

twitter Google News

Quem mora em Belém e nunca foi roubado ou assaltado conhece, pelo menos, uma pessoa que já foi. O senso comum ajuda a entender porque a capital paraense ficou em primeiro lugar em um ranking de 11 cidades nas quais a população se sente mais insegura ao sair de casa. Foi esse o resultado obtido através de estudo feito pela Universidade de São Paulo (USP).

O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV), responsável pela pesquisa, aplicou, em 2010, um questionário padrão para 4025 pessoas nas 11 capitais escolhidas. Foram selecionados voluntários com 16 anos ou mais, de diferentes classes econômicas e graus de escolaridade.

Em Belém, 213 habitantes foram consultados. Desses, 60,6% disseram que se sentem inseguros ao andar na cidade durante o dia e 44,3% afirmaram que não se sentem seguros ao circular à noite. O resultado coloca Belém à frente das outras 10 capitais, inclusive São Paulo, onde 32,6% dos habitantes se sentem inseguros na rua durante o dia e 17,9% à noite.

Sentada à porta de casa, descascando as castanhas que seriam vendidas mais tarde, dona Maria de Nair Cardia, 62 anos, comenta: “Outro dia mesmo assaltaram um carro de cerveja aqui perto. Quer dizer, basta tá andando que a gente já tá correndo perigo. Em qualquer lugar a gente tá inseguro”. Ela mora no bairro do Jurunas, próximo a um local considerado “área vermelha” pela polícia.

Seu Amadeu dos Santos, 70 anos, companheiro de dona Maria, fala com a propriedade de quem já ouviu e viu muita coisa acontecer no bairro: “A gente abre os olhos, eles roubam. A gente fecha, eles roubam de qualquer jeito. A gente só tem segurança em Deus”.

Segundo o estudo, em Belém, apenas os relatos de agressões físicas, caíram no período mencionado (de 1999 a 2010). O maior aumento ocorreu nos relatos de roubos com uso de arma, na agressão física contra parentes próximos mediante o uso de arma de fogo e/ou faca e nas agressões verbais. A pesquisa indica ainda que 31,4% dos entrevistados se mostraram totalmente a favor da pena de morte para certos crimes. A média nacional, para a mesma situação, ficou em 36,6%.

Maria das Graças, 40 anos, mantém um comércio há oito no bairro da Cremação. Apesar de trabalhar próximo à Seccional Urbana, ela se sente tão insegura que, como os presos que moram perto, resolveu ficar atrás de grades. Agora, a comerciante só atende os clientes por trás do portão. “Segura mesmo eu não me sinto, não, mas pelo menos a gente se sente menos exposto”, fala. Depois de presenciar assaltos na rua em que mora, Maria das Graças se mostra desiludida. “Eu acho que não tem solução pra esse problema. Morrem cinco bandidos e nascem dez. E quando prendem, eles vêm pior”, lamenta.

MUDANÇAS
Para Antônio Cláudio Farias, secretário adjunto de Inteligência e Análise Criminal da Segup (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social), a pesquisa é um retrato antigo da situação da cidade. “Nós não sabemos qual foi a metodologia e a base de dados utilizadas nessa pesquisa, então fica até difícil comentar alguma coisa por uma questão ética”, afirma.

De acordo com o secretário adjunto, o número de homicídios em Belém e no Pará caíram de 2010 para 2011. De 3.409, em 2010, foram registrados 2.913 homicídios no Estado, em 2011. Em Belém, o número, segundo o secretário adjunto, caiu de 848 para 571. “Nós já temos um acumulado de redução de homicídios de, pelo menos, 17% na cidade”, completa.

Antônio Farias reconhece que os números continuam altos, mas garante que estão reduzindo. “Isso se deve a três fatores: o combate à impunidade, o enfretamento ao tráfico de drogas e a integração de políticas públicas com políticas de segurança pública e prevenção social, capitaneadas pelo Pró-Paz”, explica.

Ele cita ainda uma pesquisa divulgada ano passado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que mostra que a sensação de insegurança não está diretamente ligada à redução da criminalidade. “Em Estados do Sudeste, por exemplo, em que houve uma redução expressiva da criminalidade a sensação de insegurança não diminuiu”, comenta o secretário adjunto.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!