A greve dos médicos servidores do município, que já dura 20 dias, pode se desdobrar em uma greve geral dos profissionais de saúde. Durante assembleia realizada na manhã de ontem, representantes de onze sindicatos e uma associação decidiram realizar assembleia no próximo dia 19 para votar a proposição de uma mobilização unificada e geral. Segundo o Sindicato dos Médicos do Estado do Pará (Sindmepa), a pauta de reivindicações da categoria já foi protocolada na Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) na última quinta-feira.
Segundo o diretor do Sindmepa, Wilson Machado, a reunião foi mais uma etapa da mobilização que, provavelmente, levará a uma paralisação generalizada. “Amanhã (hoje) começa a peregrinação nas unidades de saúde e hospitais para informar os funcionários sobre a assembleia que vai votar a greve geral”, informou. “A possibilidade de acontecer a greve é real. Ela deve acontecer, sim”.
Segundo ele, o que levou à unificação da pauta foi, justamente, a compatibilidade de reivindicações. “O Plano de Carreira é para todos os funcionários e não só para os médicos, as más condições de trabalho não dizem respeito só aos médicos. É um problema que atinge a todos”, justificou, ao lembrar da paralisação dos anestesiologistas, que também iniciou ontem. “Hoje (ontem), a cidade já ficou sem anestesistas no SUS (Sistema Único de Saúde) e isso é muito grave”.
SITUAÇÃO
Diretor Superintendente da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado do Pará (Coopanest-PA), José Mariano ressaltou que os únicos hospitais que possuem anestesiologistas são os que possuem profissionais funcionários, o que não é o caso dos Pronto-Socorros Municipais Mário Pinotti (PSM da 14), e Humberto Maradei Pereira, no Guamá.
“Estamos recomendando que o Samu (Serviço Móvel de Urgência e Emergência) não leve pacientes para os PSMs porque estão sem anestesistas”, disse. “Estamos recomendando que levem para hospitais que tenham anestesistas funcionários, como o Metropolitano, a Santa Casa, o Barros Barreto...”.
Segundo ele, a categoria resolveu paralisar as atividades em decorrência do atraso no pagamento dos anestesiologistas cooperados pela prefeitura desde novembro do ano passado. Após esse período, José Mariano afirma que o Ministério Público foi acionado pela cooperativa, o que culminou na assinatura de contrato onde a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) se comprometia a efetuar o pagamento em 90 dias, o que também não teria sido feito. “Paralisamos porque não foi cumprido o prometido. Não temos previsão de retorno enquanto a prefeitura não nos pagar”, ressaltou.
Movimento foi considerado tranquilo
Mesmo com a greve, o movimento nos Prontos-Socorros Municipais estava tranquilo. Ainda no início da manhã, poucos eram as pessoas vistas na porta do PSM do Guamá. Vinda de Cametá com a mãe doente, a técnica de enfermagem, Kézia dos Santos, disse ter sido atendida de imediato. “Chegamos na sexta e nos atenderam, mas levamos aquele choque de ver pessoas nos corredores”, disse. “Estamos, agora, esperando transferência para outro hospital porque o caso dela é grave”.
No PSM da 14, o pouco movimento se mantinha parecido. De saída do hospital, a funcionária pública Nádia Melo disse não ter o que reclamar do atendimento.
Em nota, a Sesma ressalta “que acionou o governo do Estado e o MPE na manhã de ontem, solicitando que o Estado cumpra o cofinanciamento dos hospitais municipais de Belém, repassando à Sesma o valor de R$ 14 milhões referentes ao ano 2011”. Segundo a secretaria, só assim poderá repassar à cooperativa os seus vencimentos.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), hoje, às 15h, o secretário de Saúde, Hélio Franco, deve se reunir com o Ministério Público Federal (MPF), a fim de tratar sobre o cofinanciamento dos hospitais municipais de Belém. Na ocasião, segundo a assessoria de comunicação do órgão, a secretaria prestará mais informações sobre o assunto.
(Diário do Pará)
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