Um médico pediatra da Santa Casa de Misericórdia, que por motivos óbvios pediu para não ser identificado, registrou o Boletim de Ocorrência (BO) nº 00011/2012.008891-7, na Seccional da Pedreira, ontem à noite, logo depois de cumprir plantão no hospital para denunciar que 12 bebês “intubados e em ventilação mecânica com necessidade de uma UTI neonatal”, estavam junto com outros 56 bebês (68 no total) na Unidade de Cuidados Intermediários que não oferece suporte necessário para o caso deles. O pediatra disse que alertou a Gerência de Neonatologia, que não deu uma solução para o problema até o final do plantão dele. “Não posso me omitir em relação a isso. Estou indignado com essa situação. Esses bebês estão fora do local adequado em que deveriam estar. Eles podem morrer a qualquer momento”, afirmou o médico. Ele disse que também registrou o BO para se proteger de qualquer problema. A Unidade Intermediária, segundo o médico, não tem suporte para manter os bebês. Enquanto na UTI tem bebê que só está aguardando a hora de sair, outros estão em estado mais grave aguardam do lado de fora. “Esses bebês estão sendo desrespeitados. Eles precisam de uma solução urgente”.
O Boletim de ocorrência, foi registrado pelo delegado Pery Nunes Netto, por volta das 20h “para fins de direitos”. O médico disse que a denúncia tem o objetivo de forçar as autoridades a encontrem uma solução para o problema que “está se agravando todo dia”.
SANTA CASA
A assessoria de imprensa da Santa Casa informou que somente dois bebês estariam necessitando de internamento na UTI neonatal, mas que eles estariam recebendo os cuidados necessários enquanto aguardam leito. Segundo a assessoria, “esta é a realidade do hospital que está superlotado por conta dos outros hospitais que não fazem a retaguarda para a Santa Casa”. O hospital, por outro lado, apesar das dificuldades, prefere deixar os bebês internados a mandá-los de volta para casa, daí a superlotação.
(Diário do Pará)
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