Após um médico da Santa Casa registrar boletim de ocorrência, na noite de terça-feira, denunciando que doze recém-nascidos estavam na Unidade Intermediária quando precisavam ser transferidos para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que estava lotada, a Santa Casa anuncia que em agosto mais dez leitos de UTI serão entregues. O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) afirma que um diretor foi à Santa Casa verificar a situação. “O diretor de plantão foi naquela noite à Santa Casa e constatou o que o profissional havia relatado, acompanhando-o até a Seccional de polícia para registro de ocorrência”, contou Wilson Machado, diretor do sindicato. “A preocupação se explica por que hoje qualquer problema que venha a ocorrer com o paciente, acaba resultando em um processo contra o médico”, esclarece Machado. “A atitude do médico pode ser considerada uma resposta a uma antiga orientação do secretário de saúde: atender pacientes mesmo sem condições, até no chão, se preciso”, acredita Machado.
Segundo a gerente de neonatologia da Santa Casa, Vânia Silva, apenas dois bebês precisavam ser transferidos para a UTI na noite de terça-feira. “Eles estavam na Unidade de Neonatologia, que possui ar comprimido e demais equipamentos necessários para ventilação mecânica. O que pode ter acontecido é que ele (médico) pode ter chegado ao plantão e se deparado com a sobrecarga de crianças na unidade, provenientes de Belém e do interior”, acredita. De acordo com a gerente, a Santa Casa conta com 107 leitos, entre eles, 67 da Unidade Intermediária (UCI) e 40 da UTI. “Todos eles estão ocupados. temos uma demanda média de 130 recém-nascidos precisando de leito. A gente sempre usa uma cota a mais, sempre coloca o percentual acima, prevendo o que possa ocorrer. O Ministério Público Federal e Estadual têm ciência do que está acontecendo: a questão da superlotação”.
A gerente da neonatologia afirma que a Santa Casa tem uma folha de registro de demandas externas documentadas. “Temos que começar a chamar os municípios para a responsabilidade. Eles têm que fazer o pré-natal bem feito e encaminhar para cá somente os casos graves”. Segundo ela, de 20 a 30% dos partos realizados na Santa Casa são de adolescentes, o que explica a incidência de nascimentos prematuros. “Realizamos de 500 a 600 partos por mês, muitos deles em meninas de 13 e 15 anos”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar