Excessos são comuns no mês de julho quando boa parte da população se dedica ao lazer e principalmente ao veraneio. É nessa época do ano, no calor da estação, que os exageros aumentam a incidência de problemas fonoaudiológicos. Isso porque o paraense tem o hábito de ouvir música alta e usar a voz indevidamente.
A chefe da Divisão de Fonoaudiologia do Hospital Ophir Loyola, serviço que atende toda rede SUS e acompanha a evolução do paciente durante o tratamento, explica que os decibéis (dB) dos sons automotivos, além de causar fadiga auditiva e estresse, com o uso contínuo, podem levar a uma Perda Auditiva Induzida por Ruído, denominada de Pair. "Pesquisas revelam que ruídos acima de 80 dB podem gerar perdas auditivas irreparáveis na parte interna do ouvido. Os paraenses possuem o hábito de potencializar os alto-falantes dos veículos para irem à praia, consequentemente, o indivíduo precisa falar mais alto, já que o som está mascarando a própria voz”, afirmou Cláudia Martins.
A competição sonora ocorre principalmente entre os jovens, não somente em praias, mas em festas e ambientes fechados, nos quais as pessoas costumam elevar a voz para conseguir levar um diálogo adiante. Além disso, o uso indevido da voz concomitante com a bebida gelada maltrata a prega vocal, devido ao choque térmico. "Uma das principais consequências dos abusos do verão devido aos ambientes ruidosos são as disfonias, mais conhecidas como rouquidões. Um dos indicativos de que alguma alteração acontece no aparelho vocal é quando a rouquidão persiste por mais de duas semanas", alertou a fonoaudióloga.
Para ter uma característica vocal adequada, fazer uso da hidratação correta é essencial. "Recomendamos oito copos diários de água, que não deve ser retirada do congelador. A famosa garrafinha do congelador pode levar a uma disfonia e é contra-indicada em qualquer clima e não somente no verão, quando é utilizada mais comumente". Caso haja rouquidão persistente e diminuição da acuidade vocal, o profissional médico especialista ou o fonoaudiólogo deve ser consultado. "É necessário detectar se há uma alteração patológica ocasionada pelo uso indevido da voz ou se há uma perda auditiva. Quando o indivíduo não busca assistência adequada, o principal risco é o afastamento do ambiente de trabalho", frisou.
Um outro risco à saúde auditiva que ocorre durante o verão e afeta principalmente as crianças é a otite média. Trata-se de uma inflamação ou infecção do ouvido médio provocando dor muito forte, diminuição da audição, febre, falta de apetite e secreção local. "É recomendável que as crianças usem o protetor auricular, encontrado facilmente em lojas de artigos esportivos, para evitar que a água se acumule no ouvido durante o banho ou nadar, assim evitando a infecção local". (Agência Pará)
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