A estrutura é simples: um pedaço de papel manteiga, algumas varetas e linha. Mas os prejuízos causados pela utilização das tradicionais pipas podem ser complexos quando ‘empinadas’ em lugares indevidos. Preocupados com os riscos de acidentes aeronáuticos causados pelas pipas que caem dentro dos espaços do Aeroporto Internacional de Val de Cans, em Belém, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) promoveu a troca desses brinquedos, nos bairros do entorno do aeroporto, através do projeto “Troque sua pipa por uma bola”.
Na primeira eminência de chegada dos ônibus e carros da Infraero que fariam a distribuição das bolas, crianças e adultos do bairro da Pratinha I já surgiam nas portas das casas com as pipas nas mãos. Preocupado em orientar o filho sobre os perigos de se empinar pipa em locais indevidos, o agente de portaria Rosivam da Silva foi um dos que fez questão de acompanhar o filho, Rosivam Júnior, de apenas quatro anos, na troca. “Prefiro que ele jogue futebol do que vá empinar pipa”, disse. “Essas crianças saem pra empinar pipa e invadem o quintal dos outros, saem correndo na frente de carro pra pegar as pipas que caem... isso é muito perigoso porque uma criança dessa pode até ser atropelada”.
De acordo com o Superintendente da Infraero, Samuel Lima, esse é um dos principais perigos que envolvem a área das pistas de pouso e decolagem do aeroporto de Belém. Segundo ele, nesse período do ano, aumenta a ocorrência de queda de pipas dentro das áreas do aeroporto, daí a importância da ação de conscientização. “Esse lazer de empinar pipa no entorno do aeroporto é muito perigoso porque as pipas caem e as crianças aqui do entorno acabam quebrando o muro, adentrando a pista até com a aeronave em aproximação”, afirma. “Quando essa criança passa correndo em frente a um avião em decolagem, imaginem o perigo para ela e para os passageiros do avião”.
Ainda de acordo com Samuel, esse não é o único risco provocado pela utilização de pipas próximo do local, apesar de, até hoje, nunca ter sido identificado nenhum acidente do tipo. “Essa pipa que cai na pista do aeroporto ainda pode ser ingerida pelas turbinas das aeronaves ocasionando um acidente aeronáutico grave”, lembra. “Embora ainda não tenhamos registro de acidentes em decorrência do uso de pipas, estamos fazendo um trabalho preventivamente porque em julho temos uma ocorrência grande de pipas caindo na área do aeroporto”.
Já com a bola em mãos, o estudante Igor Farias reconhece o perigo ao qual está exposto sempre que corre para pegar uma pipa na rua. Segundo ele, com a entrega das pipas que tinha em casa à campanha da Infraero, sua forma de lazer será outra. “Eu gosto de jogar bola e a pipa quando a gente solta, sempre perde ela pra alguém que corta e ela vai embora”, diz. “Eu sei que é perigoso quando a gente sai correndo atrás dela na rua, pode até ser atropelado”.
Também consciente dos perigos da prática no bairro que fica próximo à pista de pouso e decolagem do aeroporto, a dona de casa Solange Tavares também aproveitou para pegar as pipas que costumam cair em seu quintal para trocar por bolas. “É muito perigoso por causa das aeronaves”, reafirma. “Quando essas pipas caem é uma perseguição.
É difícil convencer eles porque essa é a época, mas conversando, dá pra explicar”.De acordo com o coordenador do Sistema de Gerenciamento de Segurança Operacional da Infraero, Carlos Alberto dos Santos, muito além da troca de pipas por bolas, a ação pretende conscientizar a população dos perigos da prática. “Esse evento é fundamental para a garantia da segurança operacional. Estamos falando de um perigo para a aviação, mas também para os que praticam essa atividade”.
EM NÚMEROS
909 Pipas foram trocadas por bolas em 2010. No ano passado foram 743 pipas recolhidas na campanha. A ação ainda acontece nos bairros do Bengui, Pratinha I e Pratinha II, que ficam no entorno do Aeroporto Internacional de Belém, nos dias 16 e 17 de julho.
(Diário do Pará)
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