15 de julho. Um dia para promover a igualdade entre os sexos, garantir os direitos sociais e, principalmente, estimular neles um hábito comum a elas: cuidar de si próprio. Esses foram os objetivos que levaram à instituição, em 1999, de uma data voltada aos homens, cada vez mais fragilizados com hábitos poucos saudáveis. “A maioria dos homens não vai ao serviço de saúde e desconhece que há um Programa de Saúde voltado exclusivamente ao gênero masculino. Como a procura é pequena, as doenças crônicas se tornam, em geral, mais complicadas, resultando em um alto número de mortes.
É o resultado de idas esporádicas ao médico, sem a periodicidade necessária para exames laboratoriais”, explica o médico Paulo Humberto. Além da rotina inadequada, os homens também ainda lutam contra estigmas antigos, como o exame de próstata, que ainda encontra muito preconceito e adiamento. Eles apresentam, por exemplo, maior mortalidade do que elas em praticamente todos os ciclos de vida. Os homens também apresentam mais resistência a procurar cuidados médicos e a realizar atitudes preventivas.
Eles vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e têm mais doenças do coração, câncer, colesterol e pressão arterial elevada e maior tendência à obesidade. E junto às doenças, os acidentes também são responsáveis pelas estatísticas alarmantes. “O homem faz mais uso de bebida alcoólica, do cigarro e ainda está exposto, frequentemente, à violência desde jovem, o que influencia muito na ocorrência de mortes acidentais”, diz Paulo Humberto.
Quando ouviu que amanhã era o dia do homem, o cinegrafista Gerson Magno, 45, riu, pensou ser uma brincadeira. “Finalmente lembraram da gente”. Mas quando instruído sobre os motivos dessa data especial, logo a expressão do seu rosto mudou para a seriedade do assunto. “Admito que só vou ao hospital se estiver sentindo algo. E tem que ser forte, senão tomo remédio em casa mesmo. Acho que isso é meio cultural.
O homem é mais agoniado, nunca gosta de perder tempo com cuidados preventivos”, opina. Além disso, a postura social masculina também dificulta a incorporação de novos cuidados, diz Osmar Coelho, operário da construção civil. “Tenho 4 filhos, dois meninos e duas meninas e a diferença já é visível no cuidado que elas têm com a saúde”.
Questionado sobre a displicência também no ambiente de trabalho ele garante que o cenário hoje é bem melhor. “Pelo menos nas obras todos se conscientizaram sobre os equipamentos de segurança e já vejo preocupação com acidentes laborais”, ratifica. E para incentivar tais mudanças, ele sugere a mobilização do mercado e sociedade. “Ia ser bom ter mimos, almoços, presentes, festas. Só pra animar”, brincou.
(Diário do Pará)
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