Até o final de junho, o número que constava nos registros da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) apontava a custódia de 12.620 detentos, nas 6.672 vagas disponibilizadas pelas quarenta unidades prisionais do Estado. Diferença que, em uma conta simples, representa o excesso de 5.948 internos, e que cresce diariamente com as detenções de suspeitos de práticas criminais nas delegacias espalhadas nos municípios paraenses. São pessoas que cumprem pena em celas e cadeias excessivamente lotadas e que ajudam a compor as estatísticas que apontam o problema da superlotação carcerária como o principal desafio da Susipe.
Uma das delegacias que funcionam com o problema, a Seccional Urbana de São Brás foi palco da fuga de 18 detentos da Central de Triagem, no último dia 28. O fato, noticiado pelo DIÁRIO, apontou não apenas as ferramentas utilizadas pelos detentos e a organização da ação, mas também, a causa que pode estar por trás das fugas. Segundo o diretor da central de triagem da seccional, Jorge Wanzeler, a unidade, que tem capacidade para 120 presos, abrigava, naquele momento, 262 pessoas. A maioria dos presos que conseguiu fugir estava no corredor da seccional devido à ausência de espaço nas celas.
Superintendente da Susipe, André Cunha não omite o problema. Segundo ele, que gerencia o sistema penitenciário estadual, a superlotação é real não apenas em algumas unidades paraenses, mas em todo o Estado. “Não digo nem que a superlotação é um dos maiores desafios enfrentados. A superlotação é o principal problema do Estado do Pará”.
Para solucionar o problema, o superintendente afirma que estão sendo construídas onze novas unidades prisionais em oito municípios paraenses. Segundo ele, a perspectiva é de que, até 2014, sejam produzidas em torno de cinco mil novas vagas no sistema penitenciário do Estado. “São obras que já estão em andamento. Juntas, elas irão gerar 2.891 vagas”, afirma. “Outras ainda estão em fase de captação de recursos ou elaboração”.
Dentre os atuais 12.620 detentos, a grande maioria tem de 18 a 24 anos. O percentual é maior entre os homens, já que 32,83% deles estão nessa faixa etária. De qualquer modo, percentual feminino também é alto. Do total, 25,12% das mulheres detidas têm até 24 anos de idade. Outro fator da população carcerária feminina que chama a atenção é o motivo que as levaram a tal situação. Pouco mais de 52% das mulheres foram detidas em decorrência do tráfico de drogas.
TRÁFICO
Aos 26 anos, Alessandra Mota compõe essa estatística. Após o cumprimento de três anos e sete meses de sua pena em regime fechado, ela desfruta do direito do regime semi-aberto há três semanas. “Eu entrei pro cárcere com 22 anos por tráfico de drogas. Eu fazia faculdade de gestão ambiental e acabei me levando pela ilusão de querer ter dinheiro, mas depois que tudo isso passa, não paga a nossa liberdade”.
Integrante do projeto “Conquistando a Liberdade”, que prevê a revitalização de escolas por detentos que apresentem bom comportamento e que já trabalhem dentro do cárcere, é contando a sua história a estudantes adolescentes que Alessandra pretende ajudar a diminuir a lotação das penitenciárias convencendo novas pessoas a não cometer o mesmo erro que ela.
“Não queria isso para a minha vida, poderia estar em uma situação totalmente diferente. Esse tempo que eu passei no regime fechado não vai voltar atrás, mas estou procurando amadurecer e retomar a minha vida”.
UNIDADES PRISIONAIS EM CONSTRUÇÃO
SÃO FÉLIX DO XINGU
188 novas vagas masculinas.
BREVES
128 novas vagas.
SANTA IZABEL
Duas unidades prisionais em construção. Juntas, irão gerar 292 vagas masculinas e 316 femininas.
MARABÁ
Será criada uma unidade prisional masculina, com 292 vagas, e uma feminina, com 86 novas vagas.
SANTARÉM
Será criada uma unidade prisional masculina, com 316 vagas, e uma feminina, com 86 novas vagas.
TOMÉ-AÇÚ
306 novas vagas masculinas.
COLÔNIA AGRÍCOLA HELENO FRAGOSO (AMPLIAÇÃO)
Serão criados três novos alojamentos que ofertarão 375 vagas.
PARAUAPEBAS
506 novas vagas masculinas.
(Diário do Pará)
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