Ainda falta um mês para o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Mas alguns candidatos já prometem se destacar, por seu perfil, no mínimo, pitoresco. Entre os 829 candidatos se inscreveram no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para concorrem a uma das 35 vagas de vereador de Belém, existem aqueles já conhecidos do meio político, mas existem aqueles que se destacam como novidades.
Alguns apelam para nomes associativos como Carlos Fusquinha, Augusto Papai Noel, Xororó, Cachorrão Lutador, Carmen Academia, Junior do Povão, e o Cobrador Pregador, uma das sensações da última eleição, em 2008, e que tenta agora o segundo mandato como parlamentar. Outros, para apelidos nos quais são conhecidos, como Tubarão, Tititica, Gravatinha, Pato do Mosqueiro e Roberto Carlos Taxista.
Evaldo Rosa foi eleito com 2.689 votos, conquistados na base da conversa, em seus discursos religiosos, abordagens simpáticas dentro de coletivos urbanos. No embalo de Tiririca, Antônio Vieira de Miranda, vulgo palhaço Tititica, também é candidato a vereador. Aos 45 anos ele tenta pela primeira vez um cargo político. Diz que a instrução regular baixa- ele tem apenas o ensino fundamental incompleto- não irá atrapalhar sua performance.
Não é o que pensa alguns eleitores. “Nenhum candidato que utiliza estratégias humorísticas levaria meu voto, porque esse comportamento indica a falta de educação, conhecimento e qualidade de um político”, opina a jornalista Clarissa Costa.
Para a cientista política Kátia Mendonça, esse tipo de comportamento faz parte de um processo de “dilapidação da esfera política”, processo no qual o povo passa a agir da mesma forma que seus representantes, que servem de modelo e exemplo aos cidadãos.
Sustentando uma análise mais pessimista do cenário atual, Kátia considera que existe uma desagregação moral no Brasil muito grande e cresceu exponencialmente na última década.
Um dos motivos para esse comportamento é a falta de educação cívica na sociedade brasileira, garante a estudiosa.“Diferentemente de outros países, no Brasil não houve educação cívica. Mesmo com diversos problemas políticos, muitos países europeus, por exemplos, construíram uma consciência da esfera pública e seus próprios habitantes lutam para mantê-la”, afirma.
Kátia Mendonça também ratifica a importância do exercício de cidadania. “Mesmo com falhas, a democracia é o melhor regime político que existe e é direito e dever social lutar para que ela não desapareça”.
Kátia diz ainda que o voto não deve ser encarado como uma obrigação, mas sim como uma oportunidade de participação, onde os eleitores têm a liberdade de escolher os nomes que melhor representem os anseios coletivos.
(Diário do Pará)
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