Cerca de 18% dos traumas provocados por queda, registrados no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), são de extrativistas que despencam dos açaizeiros na hora de colher o fruto. O acidente é dos mais comuns na região e preocupa a comunidade médica – que já desenvolveu uma técnica para diminuir os riscos. Somente na semana passada, três apanhadores de açaí deram entrada no hospital.
O caso mais grave foi o do extrativista Ronaldo do Nascimento, 38, que foi trazido de Anajás, no Marajó, por um helicóptero da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), depois de cair de uma altura de 10 m.
Entre as principais consequências deste tipo de acidente estão o traumatismo na coluna e a fratura de membros – que deixa o extrativista impossibilitado de trabalhar. De acordo com o médico José Guataçara, o problema chama atenção para a segurança dos apanhadores de açaí que todos os dias sobem e descem dos açaizeiros sem nenhum equipamento de segurança.
Para reduzir o número destes acidentes o médico criou uma técnica que pode ser usada pelos apanhadores de açaí. Trata-se de uma espécie de cadeira feita com cordas e que podem ser amarradas nos açaizeiros e com ela o apanhador sobe e desce da árvore. “A cadeirinha pode ser feita de cipó, mas há o risco do extrativista escorregar e cair do mesmo jeito. A corda oferece mais segurança”, disse o médico.
Guataçara relata que a técnica foi apresentada aos extrativistas que moram na ilha de Juquirí, no Moju, que testaram a cadeirinha e aprovaram. “A partir do próximo semestre iremos apresentar a técnica para os apanhadores de açaí que moram em outras ilhas, tanto do Marajó quando ao redor de Belém onde a extração do açaí é a principal atividade econômica”, projetou.
Além da “cadeirinha” onde o apanhador prende a corda ao corpo e com isso controla a subida na árvore. O médico destaca que os trabalhadores irão assistir a uma palestra de primeiros socorros na mata e como fazer o transporte dos feridos em segurança até o hospital. “Eles devem imobilizar a vítima com recursos encontrados na própria natureza, na floresta onde estão”, atentou Guataçara. Depois de imobilizada a vítima, deve ser levada imediatamente para o hospital ou posto de saúde mais próximo. Se o caso for grave, o médico que fizer o atendimento pode transferir o ferido para Belém.
(Diário do Pará)
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