Cenas cinematográficas transformaram a rotina da cidade, que aparentava tranquilidade no final da noite de sábado (14). Uma perseguição policial que começou no bairro de Nazaré acabou na avenida Duque de Caxias, esquina da travessa Curuzu, no bairro do Marco.
Três homens armados tomaram de assalto Valério da Silva Lima quando este trafegava com seu veículo, um Gol, e parou no semáforo da travessa Rui Barbosa, esquina com a avenida Nazaré. Os assaltantes entraram no carro tomando a direção e o colocaram no banco traseiro, enquanto dirigiam alucinados pelas ruas de Belém.
“Eles seguiram pela avenida Nazaré, Magalhães Barata e já na travessa 9 de Janeiro planejavam roubar outro carro. Quando perceberam as luzes de viaturas, saíram avançando sinal vermelho até baterem com o carro na Duque de Caxias”, disse a vítima em depoimento.
Coube ao sargento Nogueira, da viatura 9210, integrante da 2ª Cia do 2º BPM, começar a perseguição. “Nossa guarnição foi informada do assalto com refém e localizamos o carro ainda na Magalhães Barata”, disse o sargento Nogueira.
Cercados, os três homens fizeram uma série de exigências ao negociador, o sargento Castro, da Polícia Militar. O DIÁRIO foi a primeira equipe de jornalismo a chegar ao centro da crise, o que deixou os assaltantes mais tranquilos para negociar com a polícia.
Além da imprensa, eles solicitaram três coletes à prova de bala e a presença de familiares. A namorada de um deles ficou conversando com o assaltante durante toda a negociação. “Te entrega, amor, que o pessoal da Rádio Clube, RBA e do DIÁRIO já vão embora. Aí, tu sabes, né!?”, dizia a mulher.
Uma hora depois de iniciada a negociação, os três homens se renderam. A princípio, eles informaram que eram menores, o que também foi confirmado pelos familiares. Porém, na rendição, os policiais descobriram a real idade deles: apenas dois eram adolescentes. O adulto foi identificado como Shelldon Roberto Nobre Gouveia, de 19 anos.
Com eles, os policiais apreenderam uma pistola Taurus 765, municiada e um revólver calibre 38 com quatro munições intactas.
O carro da vítima teve que ser guinchado uma vez que, durante a perseguição, acabou sendo batido pelos acusados. A vítima foi levada de ambulância a uma clínica particular para receber atendimento médico e depois prestou depoimento na Central de Flagrantes. Shelldon Roberto Nobre Gouveia foi autuado, enquanto os menores de idade foram levados para a Data.
População hostilizou familiares dos acusados
A Polícia Militar teve trabalho para conter os ânimos da população exaltada com ação criminosa dos três homens, durante as negociações no assalto com refém na avenida Duque de Caxias.
Tão logo se renderam, os meliantes jogaram as armas no chão. Os três foram cercados por uma multidão enfurecida, que aos gritos cobrava uma ação mais contundente contra este tipo de crime, que já se tornou rotina na Região Metropolitana de Belém.
A muito custo, os policiais conseguiram colocá-los em duas viaturas e sair do local, antes de um desfecho mais trágico. Familiares dos assaltantes, que compareceram ao local, foram hostilizados por populares, gerando uma grande confusão após a rendição dos acusados.
Na Central de Flagrantes, para onde foi levado, o DIÁRIO conversou com Shelldon Roberto Nobre Gouveia que disse ser estudante e morar no bairro de Canudos com a família.
Ele revelou que, às 22h30, juntou-se aos dois menores, moradores do bairro da Terra Firme, e tomaram um ônibus para o bairro de Nazaré, no intuito de roubar motoristas e veículos que transitam pelo local. “Lá na Rui Barbosa com a Nazaré, à noite, é grande o movimento e como o local é escuro facilita”, disse.
Shelldon informou que já esteve preso quando era menor de idade, ficando apenas duas semanas apreendido. “Eu não posso trabalhar porque levei um tiro e tenho que ficar com uma bolsa de colostomia”, afirmou.
(Diário do Pará)
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