Com reservas aquáticas abundantes, mas muitas vezes contaminadas e mal administradas, Belém registra constantes reclamações sobre o abastecimento de água. As críticas vão desde o valor pago pelo serviço até a precariedade dele. Motivos que levaram a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) a buscar outros mecanismos de desenvolvimento.
Um deles virá com a aquisição, nos próximos meses, de aproximadamente 200 mil hidrômetros com tecnologia radiofrequência para abastecer a Região Metropolitana de Belém. Na prática, o hidrômetro de radiofrequência realiza a medição do consumo de água a cada hora, 24 horas por dia. Os dados são enviados por sinal de rádio à central da companhia, que armazena as informações em um banco de dados.
CONTA
No final do mês, o cliente recebe sua conta de água sem a necessidade da leitura manual e pode, se quiser, pedir um demonstrativo detalhado. Com o equipamento, os funcionários não precisam entrar na casa do consumidor e podem fazer a checagem com até 400 metros de distância.
Atualmente, mais da metade das residências da capital não tem hidrômetros, o que, somado a outros problemas estruturais, como aterramentos sucessivos, dificulta o trabalho de fiscalização e manutenção, explica Fernando Martins, diretor de Mercado da Cosanpa.
“A medição será mais precisa. Teremos como saber, por exemplo, quando acontecem vazamentos em válvulas de vasos sanitários que ficam desperdiçando água durante a madrugada, quando o consumo deveria ser praticamente nulo”, diz. Além disso, a exatidão da leitura evita falhas porque não depende da visualização do agente, dando mais segurança e rapidez ao serviço.
Fernando ratifica que milhares de hidrômetros já instalados na Região Metropolitana de Belém têm capacidade de receber um dispositivo extra e funcionar de forma semelhante. A tecnologia é chamada de Telemetria. “No momento, a Cosanpa está realizando o teste piloto em 64 hidrômetros instalados ao longo da avenida Marquês de Herval. A ideia é substituir o sistema em todas as residências clientes”, garante.
A companhia espera liberação de recursos para montar um cronograma de instalação dos equipamentos. Cada hidrômetro de radiofrequência custa cerca de R$ 300.
(Diário do Pará)
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