A greve nas universidades federais, que completa hoje dois meses, deve continuar por tempo indeterminado. A proposta apresentada pelo governo federal na última sexta (13) não foi acatada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). No Estado, alunos da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Instituto Federal do Pará (IFPA) não têm previsão de quando retornam às salas de aula.
Na próxima segunda-feira (23), as associações que compõem o sindicato devem compor uma proposta em resposta à apresentada pelo governo. “Não há nenhuma alteração significativa, apenas pequenas diferenças, como criar 13 níveis, sendo que mantém as classes e somente substituem a categoria sênior pelo titular”, afirma a diretora geral da Associação dos Docentes da Ufpa (Adufpa), Rosimê Meguins.
O sindicato acredita que a proposta contempla apenas 10% dos docentes. “O reajuste mais significativo é para os titulares, uma pequena parcela da categoria. Esse é o maior aumento, para ser alcançado em 2015 e parcelado em três vezes. Eu nunca vi isso em nenhuma categoria do Brasil, é só com os professores”, acredita Meguins.
“Pela análise e pela repercussão, a proposta do governo será recusada, o que indica a manutenção da greve”, anunciou Meguins. “Não há nenhuma possibilidade de acordo. Essa proposta piorou significativamente em relação à anterior”, arrematou.
A proposta salarial da Andes-SN para os docentes com dedicação exclusiva em carreira inicial é de R$7.200 e R$22.693 para doutores. A remuneração para o servidor que trabalha 20h semanais, com dedicação exclusiva e em início de carreira seria de R$2.329,35; sendo que o valor máximo pago para professores nesse regime, com doutorado, chegaria a R$7.320.
O plano de carreira proposto pelo governo, que entraria em vigor a partir do ano que vem, propõe a redução dos níveis de carreira dos professores federais, mudando de 17 para 13, como uma maneira de incentivar a qualificação profissional. Os professores titulares, com doutorado e dedicação exclusiva, teriam ajuste de 45%, ao longo de três anos. O salário dos professores doutores ingressos nas universidades em regime de dedicação exclusiva passará de R$7,3 mil para R$10 mil.
Estudantes
Os estudantes, por sua vez, estão sem aula há 60 dias. Desde que Caroline Araújo, 17, foi aprovada para curso de Biotecnologia da Ufpa, em 2011, espera ansiosa o início das aulas. “Era para ter iniciado no primeiro semestre, mas a universidade adiou o começo das aulas para agosto. Agora, com a greve, a gente não sabe como vai ficar”, diz.
“A impressão que fica é que o ano inteiro foi de ócio”. Mesmo assim, ela afirma compreender os professores. “É ruim por um lado, mas eu até entendo os professores. Tem tanta verba para a Copa e as Olimpíadas e nunca tem para a educação. Eles estão lutando por um direito”.
(Diário do Pará)
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