O preço da passagem de ônibus em Belém pode custar R$ 2,34, caso o Conselho Municipal de Transporte acate a proposta do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setrans-Bel) de reajustar a tarifa em cerca de 17%. Amanhã à tarde, os conselheiros se reúnem na Companhia de Transporte do Município de Belém (CTBel) para discutir e votar a proposta de aumento da tarifa.
Para o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a proposta é abusiva e está muito acima da inflação, que ainda não ultrapassou 6% durante o ano. Nas ruas, a população contesta o aumento, uma vez que o serviço oferecido pelas empresas deixa a desejar. A passagem de ônibus custa R$ 2 desde maio do ano passado.
A convocação para a reunião foi entregue ontem aos conselheiros. O supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena, que também participa do conselho, chegou a brincar dizendo que tudo parece ter sido feito “na calada das férias”. Ele informou que o Dieese não vai apresentar nenhuma proposta de reajuste, mas que vai citar os números da inflação como base para que o aumento da tarifa de ônibus seja justo e compatível com o salário dos usuários do transporte coletivo. “A inflação é a base para o reajuste do salário de todo mundo e não pode ficar de fora nesta ocasião. Nós vamos brigar para que o aumento não seja para R$ 2,34, que é um absurdo”, destacou Sena.
De maio do ano passado até junho deste ano, Sena aponta que a inflação aumentou em 5,74%. Caso o reajuste seja feito com este índice, a passagem custaria R$ 2,12, o que representaria um impacto de R$ 101,76, caso o usuário utilize duas conduções por dia. Se a renda deste usuário for de um salário mínimo (R$ 622), 16,32% de sua renda ficaria comprometida somente para o transporte.
IMPACTO
Entretanto, se o reajuste ficar mesmo em R$ 2,34, o impacto no salário de um trabalhador que recebe um mínimo, seria de R$ 112,32, o que equivale a mais de 18% da renda.
Nas ruas, a população reclama do que poderá ser o novo valor. Para o universitário Rodrigo Veloso, 23, que depende do transporte coletivo para se deslocar pela cidade, o reajuste nem deveria acontecer por causa da precariedade do serviço. “Que o reajuste possa trazer melhorias para quem trabalha nas empresas eu até concordo, mas como passageiro não vejo motivos para o reajuste. Os ônibus circulam em péssimas condições, sempre lotados, sujos e custam a passar”.
Ao ser informado da proposta do Setrans-Bel, o estudante Antônio Souza, 21, ficou indignado e questionou se o reajuste vai trazer melhorias para o transporte na cidade. Ele estava há mais de 50 minutos na parada de ônibus esperando pelo coletivo. “O usuário não ganha nada com este aumento, apenas perde. Sempre dizem que é para melhorar o serviço, que continua o mesmo há anos”.
NO BRASIL
“Belém está entre as capitais brasileiras que possuem as menores tarifas de ônibus urbano, porém temos um dos piores sistemas de transporte do Brasil”, frisou. “A gente acredita que uma saída para este problema seria a criação de um subsídio por parte do município e do Estado ao setor de transporte, como já existe em outras capitais. Na reunião amanhã, o conselho poderá se posicionar sobre este problema”, disse Sena.
A reportagem tentou contato com o Setrans-Bel, por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve êxito. Por telefone, o assessor informou que não conseguia localizar ao presidente do Setrans-Bel, Paulo Gomes, para que ele pudesse dar maiores esclarecimentos.
A reportagem também tentou contato com a CTBel para solicitar a planilha de custos usada para a definição do novo valor da passagem. No entanto, ninguém atendeu aos telefonemas.
(Diário do Pará)
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