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Tristeza na chegada dos corpos

O primeiro enterro das vítimas ocorreu ontem mesmo. A família e os amigos de Renato Iori da Conceição, 19 anos, se despediram do jovem no final da tarde, após uma missa na capela do cemitério Recanto da Saudade. O número de jovens que acompanharam a ce

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O primeiro enterro das vítimas ocorreu ontem mesmo. A família e os amigos de Renato Iori da Conceição, 19 anos, se despediram do jovem no final da tarde, após uma missa na capela do cemitério Recanto da Saudade. O número de jovens que acompanharam a cerimônia impressionava. Os amigos de alguns estudantes percorreram os velórios prestando solidariedade às famílias e a eles mesmos. Uma juventude chorando a perda dela mesma. Alguns não se contiveram. Saíram do meio da multidão, procuraram o primeiro lugar para se encostar e desabaram em lágrimas. Muitas lágrimas. Tantas de se ouvir o pranto a metros de distância.

O enterro talvez tenha sido um dos, acompanhados pela imprensa, mais dolorosos. A despedida do corpo é difícil. Dificuldade vista nos rostos de quem acompanhava tudo e via a dor dos pais. Enterrar um filho inverte a ordem natural da vida e provavelmente ninguém está preparado para isso. Durante a missa, a cada frase do padre, um breve silêncio. Soluços de dor. “Estamos aqui pedindo única e exclusivamente que sua alma descanse em paz”.

THAMIRYS

O velório de Thamirys dos Santos Oliveira, 20 anos, foi no centro comunitário do bairro onde morava, Marambaia. Mais dezenas de jovens. Mais choro. Mais dor. E dois pais de semblante tranquilo, embora expressando muito sofrimento. Foram muitos abraçados. A todo minuto alguém chegava a eles externando a dor pelo acidente. “Fui professora da Thamirys na 3ª série e era uma menina muito boa”. Eles ouviam e agradeciam. “Obrigado, tá sendo difícil, mas obrigado”.

Um vídeo com fotos da jovem foi o pico da emoção. Amigos montaram uma última homenagem e fizeram do velório uma doce lembrança. Hoje ela será enterrada. “Sou amigo da Thamirys e eu sinto muito, esse aqui é um amigo nosso que também conheceu a Thamirys”. E mais “obrigado”.

A quantidade de pessoas distantes que se solidarizaram com essas famílias é maior do que se pode contar. Solidariedade recebida com sinceros agradecimentos.

om um aperto forte de mão dona Darly, mãe da Darlyce de Lima Cavalcante, 25 anos, recebia o conforto de amigos e parentes. O velório aconteceu na capela mortuária da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
A mãe era consolada pelo marido, padrasto de Darlyce. Ela chorava em seco, a mão batia o peito com um nervosismo controlado. Era reconfortada por todos a cada minuto.
Muitos jovens acompanhavam as cerimônias de despedidas. A cada velório, um, pelo menos, caía em prantos. Tomados pela dor de peregrinar pelos velórios para o último adeus a amigos próximos, que até semana passada conversavam com eles, planejavam, riam e faziam planos para um congresso esperado há muito aguardado por todos.

LEONARDO

O corpo de Leonardo Lopes Couto, 19, é velado em uma igreja evangélica localizada em frente à casa onde morava com os pais, na rua 2 de Junho, no bairro da Terra Firme. A via ficou tomada por parentes e amigos que aguardavam a chegada do corpo para dar o último adeus ao estudante tranquilo, que queria se formar e proporcionar uma melhor condição de vida para os pais. A urna chegou ao local por volta das 16h30. Em frente à casa, um aparelho de TV e um DVD apresentavam um vídeo feito em homenagem ao jovem.
O pai, Leonardo Carmo do Couto, abraçou a urna e permaneceu em silêncio durante muito tempo. O olhar não saía do rosto do filho. A mãe, Elizângela Lopes do Couto, apesar de muito abalada, tentava confortar o marido pela perda do único filho.
“O Léo era um garoto sonhador e dedicado à igreja. Nunca foi de brincar na rua, nem mesmo quando era criança. Tinha como sonho se formar e ajudar o pai (que trabalha como carregador no Ver-o-Peso) a melhorar de vida”, disse o tio da vítima Lucídio Couto.

SIVALDO

Desespero e dor marcaram também o velório de Sivaldo Miranda do Nascimento Júnior, 22, que também morava na Terra Firme. O corpo do rapaz foi velado em uma igreja evangélica na rua José Priante, próximo de sua residência. Emocionado, o pai do estudante, Sivaldo Miranda do Nascimento, dizia que jamais ia esquecer do filho.
“Acho que a saudade maior vai bater toda vez que eu lembrar que fui deixá-lo no local de onde o ônibus ia sair para a viagem. Meu filho estava tão feliz, ansioso com esta viagem e este evento para onde ia. Nunca vou esquecer do sorriso dele”, lamentava, desolado. Sivaldo era o caçula de quatro filhos.
A tia do rapaz, Francidalva Miranda do Nascimento, chegou a desmaiar durante o velório e foi atendida primeiramente por amigos. Em seguida, uma equipe médica contratada pela agência Fantasy chegou ao local para prestar atendimento.

WILSON

Em uma capela na José Bonifácio, em São Brás, dezenas de estudantes e familiares se reuniram para prestar as últimas homenagens a Wilson Louzeiro Evangelista, 21.

No caixão, a família colocou a bandeira do Corinthians, time para o qual o estudante torcia fervorosamente. Os colegas da universidade, apesar de muito tristes, afirmam que vão lembrar do amigo sempre alegre e brincalhão.

Para o pai, que também se chama Wilson, ficarão as lembranças de um jovem estudioso que sempre lhe proporcionou orgulho e alegria. “O meu filho ia se formar agora, no final deste ano, mas não chegou lá”, dizia ele tentando se consolar entre
amigos.

O universitário Igor Gadelha, 24, amigo inseparável de Wilson desde que começaram a faculdade, vai ficar com a saudade daquele que foi o melhor parceiro de atividades escolares e pessoais que já teve na vida. “Eu lembro que nos conhecemos no dia da matrícula, até brinquei dizendo que ele parecia um ‘playboy’ e pensava que não iríamos nos dar bem”, comentou Igor.

FELIPE

O corpo de Felipe José Barros Amim, 20, foi levado para Benfica, na Região Metropolitana de Belém, onde morava. A mãe Ana Barros não suportou a emoção de ver o filho morto e foi levada para o hospital.

De acordo com o amigo Roger Nascimento, 30, a emoção tomou conta de toda a comunidade local, que conhecia o estudante e que admirava seu jeito humilde e comunicativo.

“O Felipe era muito maduro para a idade que tinha, por isso as pessoas gostavam de tê-lo em seu círculo de amizades”, disse Roger.

O corpo é velado na paróquia de Santa Maria e será enterrado hoje, às 10h, em um cemitério particular, em Marituba.

ARIANE

A estudante Ariane dos Santos Sinimbu, 25, teve o corpo cremado após uma cerimônia que reuniu somente parentes e amigos mais próximos em uma capela crematória, em Marituba. A imprensa não teve acesso ao velório, que durou pouco menos de 30 minutos.

IVANA
O corpo da jovem Ivana Dias Rosas foi velado na residência da própria família, no conjunto Guajará, em Ananindeua. Nenhum familiar permitiu o acesso da imprensa ou quis gravar entrevista.

BRUNO

A família de Bruno Azevedo Amaral não autorizou o acesso da imprensa à capela, situada na rua Diogo Moia, onde o corpo estava sendo velado. Orando em silêncio, parentes e amigos se despediram do jovem estudante.

O silêncio e a tristeza dos familiares marcaram a chegada dos corpos dos estudantes que morreram no acidente com o ônibus que os levava para o Paraná, onde participariam de um congresso. Os corpos de Ariane dos Santos Sinimbu, Bruno Azevedo Amaral, Darlyce de Lima Cavalcante, Felipe José Barros Amim, Ivana Dias Rosa, Leonardo Lopes, Renato Iori da Conceição Couto, Sivaldo Miranda do Nascimento Júnior, Thamirys dos Santos Oliveira e Wilson Louzeiro Evangelista foram trazidos para Belém num avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que chegou à capital no início da tarde de ontem.

Eles foram recebidos por chefes de Estado e familiares, depois seguiram para os locais – escolhidos pelas famílias – para os velórios. O corpo de Ariane, 25, foi cremado, ontem mesmo, e o de Renato, enterrado num cemitério particular de Ananindeua. As demais vítimas serão enterradas hoje, em um cemitério particular, em Marituba.

Eram exatamente 14h28 quando o avião da FAB, com os corpos dos 10 universitários, pousou na Base Aérea de Belém. Neste momento, o silêncio se fez presente. Os familiares e amigos aguardavam a chegada em uma sala reservada, onde recebiam assistência médica e psicológica. O pai de Thamirys, Bruno Oliveira, chegou a ser atendido em uma ambulância do Comando Aéreo minutos antes da chegada. Emocionado, não conseguia sequer conversar.

CHEGADA

Os corpos dos 10 estudantes foram recepcionados pelo secretário adjunto de Segurança Pública, Cláudio Lima, secretário adjunto de Inteligência e Análise Criminal da Segup, Antônio Farias, diretor do IML, Orlando Salgado, e pelo comandante do Corpo de Bombeiros, Hilberto Figueiredo. O presidente da Fantasy Turismo, Alexandro Rocha, empresa responsável pelo ônibus e pela excursão, também estava presente.

Os militares desembarcaram primeiro as bagagens das vítimas, que foram entregues aos familiares. Em seguida, as urnas foram retiradas uma por uma e sempre na presença de um familiar. Os caixões eram colocados nos carros de funerárias contratadas pela agência Fantasy. De acordo com Alexandro, foi sugerido um velório coletivo e o enterro em um cemitério particular, em Marituba, mas as famílias optaram por fazer o velório individual e o enterro em cemitérios diversos.

CORTEJO

O comboio - formado por nove carros funerários, mais uma ambulância do Corpo de Bombeiros e uma viatura da Guarda Municipal de Belém, que fez a escolta - deixou a Base Aérea por volta das 15h30. O cortejo seguiu pela Arthur Bernardes até chegar à avenida Júlio César, onde os carros de funerárias seguiram para pontos diferentes, que foram os locais que as famílias escolheram para velar as vítimas.

Nas ruas, a população olhava com tristeza o cortejo passar, pois viam ali a passagem de jovens sonhos que foram interrompidos.

O titular da Segup, Claudio Lima, classificou o episódio como uma tragédia. “Eram jovens que foram viajar em busca de aprimorar e adquirir novos conhecimentos, mas não conseguiram chegar ao objetivo”, lamentou.

Para Alexandro Rocha, o momento agora é de reforçar o compromisso com as famílias das vítimas, que passam por uma perda irreparável. “Eles estão recebendo assistência médica e psicológica, respeitamos as vontades deles de optarem por velórios individuais e agora vamos fornecer assessoria jurídica para que eles não fiquem desamparados. Existe um seguro firmado em contrato e que será repassado conforme a legalidade”, frisou.

Na avenida Júlio César, o comboio se desfez e cada carro funerário seguiu para residências das vítimas e capelas onde os velórios acontecem até a manhã de hoje, quando serão enterrados. O corpo de Ariane Sinimbu foi cremado ontem mesmo, em uma cerimônia particular. Já o corpo de Renato Iori foi enterrado no final da tarde de ontem, em um cemitério particular de Ananindeua.

(Diário do Pará)

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